Bate papo com Raphael Vidigal

O assunto do post de hoje tem o intuito de falar sobre Raphael Vidigal, um belo horizontino, escritor, poeta, jornalista, letrista e responsável pelo site esquina musical.

Autor do livro Amor de morte entre duas vidas, contendo 75 poesias de sua autoria, Raphael declara que uma de suas maiores influências é o grandioso Cazuza, e quem já leu o meu perfil sabe que essa é uma característica comum a nós dois.

amor, amor

Raphael topou um bate papo com o Perfil Bhz, onde faço algumas perguntas sobre o mundo da escrita, Belo Horizonte, e claro Cazuza, espia só.

raphaelQual é o autor que te inspirou a se tornar um?

São vários os autores, inclusive em mais de uma área. Por exemplo, as artes plásticas de Hélio Oiticica e Caravaggio, o cinema de Chaplin e Godard, o teatro de Nelson Rodrigues, a música de Lupicínio Rodrigues, a dança de Lennie Dale e Pina Bausch, e por aí vai. Na literatura posso citar Leminski, Mario Quintana, Manoel de Barros, Baudelaire, Allen Ginsberg, Rimbaud, enfim, pessoas que me dizem alguma coisa da vida.

Qual seu livro favorito?

É difícil citar só um. Fico com a lembrança dos mais recentes. “Os Cantos” de Ezra Pound e “A Insustentável Leveza do Ser”, do Milan Kundera, são livros perturbadores. Cada livro traz um sentimento novo, um prazer novo. Gostei muito de ler a coleção de poemas do e. e. cummings, assim como “Memória de minhas putas tristes”, do García Márquez e os contos da Virginia Woolf.

Qual a maior dificuldade que encontrou para a publicação do seu livro?

A maior dificuldade é a fomentação da cultura. Tenho a impressão de que, em qualquer lugar do mundo, o número de pessoas com acesso à leitura não informativa é cada vez mais reduzido. Fica difícil trabalhar em uma obra que, como produto de interação, não se sustenta. O escritor continuará a escrever, mesmo que só para si, mas provavelmente não sobreviverá a esse mundo. Há inúmeros casos de autores que foram lidos em uma quantidade representativa somente após a morte. Daí certa ‘tragédia da alma’, como dizia Oscar Wilde.

O que você tem a dizer sobre os Best Sellers atuais, que vêm conquistando muitos leitores, em contrapartida seguindo um modelo extremamente repetitivo e comercial?

 Os Best Sellers, que representam a massificação da cultura, sempre existiram. Sempre houve a Jovem Guarda, o Odair José, o pagode, o produto feito em laboratório para gerar lucro, como é o exemplo do sertanejo universitário, e cujo impulso inicial não é um sentimento, uma sensação autêntica, mas algo cartesianamente elaborado, e previamente, para gerar lucro. Daí se pode fazer um corte entre a arte e o entretenimento, que podem, sim, conviver na mesma obra, mas não o vejo no caso dos Best Sellers. O problema, porém, é que a indústria cresceu de tal forma que sufocou qualquer outra iniciativa que tenha um interesse um pouco menos voltado para a audiência e mais para a poesia, em seu conceito mais amplo. Na música, por exemplo, sempre aconteceram os festivais, a diferença entre eles e os programas de televisão que exploram esse modelo hoje em dia é que, antes, havia tanto pessoas interessadas na indústria quanto as interessadas na arte. Hoje a indústria tomou conta.

O seu livro foi dedicado a sua namorada, Alessandra. Você se considera romântico?

Claro, mas no sentido de tentar ver a beleza nas tragédias da vida, e não o idealista.

Da onde surgiu o seu amor pela música?

Meu pai e minha mãe sempre tiveram uma vasta coleção de discos, portanto desde cedo tive esse acesso. Quando estava na escola, na terceira série, tocaram a música “Brasil” do Cazuza, no dia da Independência, em que usualmente se tocava o “Hino Nacional”. Aquilo mexeu muito comigo. A partir deste momento fui descobrindo os ídolos do próprio Cazuza, como a Dalva de Oliveira, Maysa, Dolores Duran, daí por diante o amor pela música só cresce. Por conta disso trabalhei no programa “A Hora do Coroa”, na rádio Itatiaia, com o Acir Antão, por cinco anos, produzindo os textos e elaborando a seleção musical. Agora estou com um projeto aprovado na lei de incentivo, em que coloquei letra em 12 chorinhos do Waldir Silva, que por acaso também conheci no programa do Acir. O disco sai ainda esse ano e terá show também.

Defina o Cazuza em uma palavra.

Irreverência.

O que te inspira?

Um momento, uma palavra, uma pessoa, um animal, tudo e qualquer coisa.

Qual o seu local favorito em Belo Horizonte?

O bairro Caiçara, onde passei a minha infância. A infância é muito importante. Acho que é o lugar para onde sempre tentamos voltar. A improbabilidade da poesia é uma coisa muito infantil, de criança.

 Qual a dica que você dá para os novos escritores que vêm surgindo no mercado?

Alguém disse isso, esqueci o autor, mas vou repetir: “Se puder não escrever, não escreva”. O escritor é alguém que não consegue deixar de escrever, porque fora isso, só há obstáculos.

Para saber mais sobre esse jovem talento, acesse o seu site Esquina Musical, lá há informações de como aquirir o livro, além de matérias incríveis sobre o universo da arte, especialmente da música.

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2 comentários sobre “Bate papo com Raphael Vidigal

  1. Oi Raphael, vim te visitar, e conhecer um pouco de ti, tua vida, tua história, gostei de ficar sabendo que te inspirasses na Musica em Lupicinio Rodriguez, na Literatura Mario Quintana, dois gaúchos como eu, alem do Cazuza, Que nasceste em BH, Escritor, poeta, Meus parabéns, Nem sei se tenho argumentos para falar contigo, Já que não sou tudo isso, sou apenas uma Pesquisadora da nossa Musica, Produtora de Eventos, Mas não podia vir aqui e não deixar meu comentário, um abração

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  2. Pingback: Entrevista com Alexandre Quirino | Perfil BHZ

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