Dois dedos de prosa com Luiz Mauro Pennacchi

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Luiz Mauro Penacchi acaba de publicar um livro intitulado Reinado Solitário, uma coletânea de prosas e poesias, a maioria escrita em um momento que a insônia se tornou rotina. Penacchi é paulistano, porém se declara mineiro de coração. Gosta de fotografia, coleciona moedas antigas e ideias sobre tudo ao seu redor, o autor topou um bate papo com o Perfil Bhz, confira abaixo:

No seu perfil você se declara natural de Campinas, porém mineiro de coração, explique um pouquinho sobre essa relação com o estado.

Quando tinha 2 anos, meus pais resolveram mudar para Ouro Fino – Minas Gerais (cidade da família do meu Pai), e desde então vivo aqui, uma cidade acolhedora onde vivi meus melhores momentos e vivenciei oportunidades únicas. Foi sentado na janela da casa da minha avó que aprendi a contar com os vagões da Maria Fumaça que passava na rua de baixo, oportunidade que continuei a vivenciar até 1986, quando o trem já não era mais viável e os trilhos começaram a ser retirados.

Devido a isso e muitas outras fases importantes da minha vida que “adotei” Minas Gerais como um estado o qual aprendi a gostar e admirar.

Por que um livro de poesias?

Desde o mais áureo tempo observava meu talento na escrita e também meu desleixo no quesito organização. Escrevia poesias e crônicas em pedaços de papel, embalagem de pão, guardanapos e em qualquer espaço onde se podia “armazenar” uma frase, uma ideia. Devido a isso, não chamava meus textos de poesias, mas sim de “rabiscos”.

Em uma época da minha vida onde a insônia começava a ser rotina e em plena era digital, comprei uma máquina de escrever, a qual colocava em cima da minha barriga para datilografar deitado, tendo mais organização com os meus “rabiscos”.

Depois de muito tempo, com centenas de poesias escritas e guardadas em uma caixa debaixo da minha cama e com a ideia e incentivo da minha esposa, resolvi criar um livro.

 Qual a sua maior inspiração para a escrita?

A minha inspiração não vem de um nome de um grande escritor, um músico ou um rebelde que incentiva a “massa” na sociedade. Minha inspiração vem da natureza, de imagens, de uma nuvem que passa no céu. Minha inspiração surge com a minha felicidade, revolta ou derrota. Exatamente tudo é motivo de inspiração pra mim.

Ultimamente estou utilizando a fotografia para fonte de inspiração. Pego minha máquina digital, vou para o jardim da minha casa e registro cenas que nunca esperaríamos existir se não estivéssemos procurando a mesma.

 Conte um pouquinho sobre a escolha do título do seu livro, reinado solitário.

Em uma época da minha vida, quando tinha aproximadamente 25 anos, vivenciei a separação dos meus pais. Cada um seguiu sua vida (longe da casa que morávamos) e minha irmã já não morava conosco há alguns anos. Vi-me sozinho, morando em uma grande casa com um jardim imenso e desempregado, onde minhas únicas companhias eram meus cães e minha própria frustração e medo.

Nesta época, desiludido de muita coisa, um dia me peguei observando meu próprio reflexo no espelho, tentando encontrar uma resposta para tudo que estava acontecendo na ocasião. Obviamente que não encontrei uma resposta, mas escrevi “Reinado Solitário”, cujo alguns trechos coloco a seguir:

“O desespero do silêncio é algo incomum.

No silêncio exato, ele persiste em fazer barulho.

Eu ouço, eu sinto que existe algo…

 … Você se torna rei de um império vazio.

Faz-se uma festa para você mesmo, onde será o único convidado…”

Era como me sentia na época: Sozinho, amedrontado, com um império da vida e sem amigos.

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Qual a sua citação favorita?

“— Essa cova em que estás,

com palmos medida,

é a cota menor

que tiraste em vida.

— É de bom tamanho,

nem largo nem fundo,

é a parte que te cabe

neste latifúndio.”

 Morte e vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Qual o tipo de música que costuma não faltar na sua playlist?

Músicas. Adoro músicas. Elas me recompõem quando minha alma está dilacerada. Não gosto de novidades ou atualidades. Não tenho nem paciência para ouvi-las. Acredito que o melhor da música já foi feito décadas atrás. Depois disso, é tudo cópia.

Na minha playlist não falta o nosso rock nacional dos anos 80 como Camisa de Vênus, Biquini Cavadão, Cazuza e Raul Seixas. Esses fizeram história, cada um com suas ramificações e um jeito irreverente de ser.

Vira e mexe me pego dentro do meu Ford Maverick ouvindo a música “Simca Chambord”, do Marcelo Nova e fico imaginando aquela época vivida contada na música.

Do rock internacional, muita musica que surgiu nos anos 80 e primórdios, se encontram na minha playlist.

Escuto também muita música clássica, como Mozart, Bethoven e Sebastian Bach.

Da influência do meu pai, aprendi muito sobre o estilo “sertanejo raiz”, cujo a única diferença entre a música e uma excelente poesia está no som da viola.

Para os interessados no velho e bom rock n´roll, sugiro a webrádio Máquina Sonora, que pode ser acessada em www.maquinasonora.com.br. Ela é a minha playlist quando estou “fora de casa”.

Os seus “rabiscos” se inspiram nas diversas fases da sua vida, inclusive um momento depressivo que você viveu, a escrita de alguma forma te ajudou a superar essa fase?

De modo algum. Acredito que na fase depressiva, a escrita não influenciava em nada, apenas serviu para deixar registrado o que estava sentindo na época. Existem dezenas de “rabiscos” desta época que nunca ousei ler depois de escritos.

Têm mais algum projeto pela frente ou por enquanto é apenas o reinado solitário?

Estou no término de um livro de crônicas e poesias, ainda sem data para o lançamento. De projetos tenho algumas histórias para uma série de livros infantis, para o qual estou procurando uma editora para a concretização e uma ideia de um romance. Este último ainda não está no papel, mas está caminhando em meus pensamentos.

Defina Minas Gerais em uma palavra.

Saudosismo.

Se interessou pelo trabalho de Luiz? Você pode acessar a sua fanpage ou adquirir o livro pelo Clube de autores AQUI.

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Um comentário sobre “Dois dedos de prosa com Luiz Mauro Pennacchi

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