Marcos, o anjo protetor dos bichos.

Marcos de Mourão Motta é um famoso médico veterinário que há mais de 25 anos atua ao lado de sua esposa Teresa Cristina Brini no cuidado de animais. Juntos fundaram a renomada clínica Cães e Amigos na região da Pampulha, onde se encontra serviços como clínica geral, cirurgias, hemopatia, vacinas, internamentos, banhos e tosas.

                         

Como todo profissional de sua área, iniciou sua carreira cuidando somente de cães e gatos, até que o primeiro desafio apareceu, curar um papagaio que tagarelava quase feito gente. Embora não tivesse aprendido muito sobre animais silvestres na universidade, ele aproveitou os conhecimentos adquiridos nos livros e cuidou do paciente inesperado. Saiu-se tão bem na sua função que outras aves começaram a chegar. Ainda hoje estima-se que somente mais seis médicos da capital tratam desses animais.

    casal araras

Este episódio foi o início do que se tornou a Associação Asas e Amigos da Serra, um criadouro de 3.000 metros quadrados, na cidade de Juatuba, a apenas 42 quilômetros de Belo Horizonte. Inicialmente o lugar foi pensado para abrigar as aves abandonados por seus donos na clínica. Hoje, o que torna este sítio tão especial, são as histórias de superação de seus moradores. Entre eles estão uma mula queimada por um carroceiro, um tucano com o bico quebrado, uma siriema sem uma perna, um jabuti atropelado, um macaco parcialmente cego e centenas de aves com asas cortadas.

mula queimada e amiga    tucano bico quebrado
Marcos não quer saber de pavões de caudas exuberantes ou de pássaros afinados, a preferência é para aqueles animais que ninguém quer. A maioria são animais doentes, vítimas do tráfico de animais, maus-tratos ou acidentes. Mas o sítio também abriga gatos e cachorros abandonados à espera de adoção, e espécies ameaçadas de extinção, como a ararajuba e o tamanduá-bandeira.

onça e jatuaba

O IBAMA, órgão do governo responsável por fiscalizar o tráfico de animais e recolher aqueles criados sem licença ou vítimas de atropelamento, recebe de 8 mil a 10 mil bichos só na Capital. Seus centros de triagem, conhecidos por Cetas, não só vivem lotados, como também não podem abrigar os animais depois do tratamento. O Asas e Amigos se tornou assim um importante centro de apoio, principalmente porque os bichos podem permanecer por lá. Contudo não são todos que encontram uma “vaga” e muitos acabam sendo sacrificados pelo Estado por não terem condições de retornar a natureza, seja por seu estado debilitado, ou por serem considerados muito mansos e domesticados.

tamandua

Os animais são inicialmente encaminhados a clínica particular de Marcos onde são feitos exames, tratamentos ou cirurgias, para depois decidir o destino final, aqueles quem se encontram novamente em condições de voltar ao seu habitat natural são devolvidos ao IBAMA para serem soltos, os demais permanecem no criadouro.

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Com a ajuda de três funcionários na ONG e uma conta de quase R$ 20 mil por mês com gastos em salários, comida, remédio e tratamento, Marcos banca o Asas e Amigos parte com a receita de sua clínica particular e parte com ajuda de doações. Hoje com mais de 500 animais, o sítio em Juatuba está com a capacidade esgotada. Não pelo tamanho da propriedade, que ainda comporta muitos bichos, mas pela falta de recursos financeiros. Marcos espera novas doações para não fechar as portas. Enquanto o dinheiro não chega, ele parou de frequentar os órgãos de fiscalização. Teme não resistir à situação dos hóspedes dali e trazê-los para cuidar no sítio.

Marcos Motta ao lado de Augusto Matos, presidente da SINDSEG, um de seus principais parceiros.

Marcos Motta ao lado de Augusto Matos, presidente da SINDSEG, um dos principais parceiros da Asas e Amigos..

Deste modo, a procriação dos animais silvestres não é recomendada, mas acontece. “Eu evito ao máximo, não deixo que construam ninhos, até porque o filhote vai ocupar o espaço de um animal que viria vítima de maus tratos”, diz Marcos. Em casos de animais ameaçados de extinção, porém, a procriação é incentivada. Os filhotes são posteriormente encaminhados ao IBAMA.

fome filhotes

Atualmente a ONG está investindo em uma área especial dentro do sítio para os projetos de conscientização ambiental. O objetivo é ensinar crianças do ensino fundamental sobre a importância do cuidado com a natureza e os animais. A estrutura é capaz de receber até 40 pessoas. A ideia surgiu após perceber que só iramos mudar a situação desses animais se mudarmos o comportamento das pessoas em relação aos bichos.

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As épocas do ano influenciam no número de animais resgatados graças à ação do homem. De junho a julho, a ONG recebe muitas aves sem asas por conta de linhas com cerol. No final do ano, são as queimadas as inimigas da vida silvestre. E, no início do ano, época de reprodução, é quando o tráfico acontece em maior número.

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Marcos é uma destas pessoas raras, que dedica sua vida, tempo e dinheiro aos outros. Seu cuidado e amor com estes animais maltratados é comovente. Seu espaço acaba funcionando não somente como um local de tratamento de bichos e preservação de animais à beira da extinção, mas principalmente como aposentadoria de animais rejeitados, que sofreram uma vida de abusos.

Cachoro, a espera de uma família que o adote.

Cachorro a espera de uma família que o adote.

Seu carinho é facilmente percebido por todos que conhecem seu trabalho. Minha família, cliente a muitos anos, é testemunha de todo seu sacrifício. Em seu nome e de todos estes animais, pedimos sua ajuda com contribuição em dinheiro, ou com doações de leite, carne, medicamentos, material de limpeza, jornais, comedouros e rações para cães, gatos, equinos e pássaros. Você pode ajudar também divulgando este bonito trabalho da Asas e Amigos.

Doações financeiras de qualquer valor podem ser efetuadas na seguinte conta: Banco Itaú – Agência: 0689. Conta Corrente: 02806-6. CNPJ: 14.745.015/0001-93.

Se desejar, entre em contato para conhecer o espaço e apadrinhar um animal, com doações de apenas R$ 20,00 por mês. Para entrar em contato com o Dr. Marcos, basta ligar para (31) 9303-1325.

A Rede Minas e a TV Horizonte fizeram excelentes reportagens sobre seu trabalho, assista abaixo para conhecer um pouco mais:

https://www.youtube.com/watch?v=26oQJ-WUXsA
https://www.youtube.com/watch?v=W2VZgVh3oAE

http://www.asaseamigos.com/
https://instagram.com/asaseamigos/

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“As pessoas não morrem, ficam encantadas”.

guimaraes

Com uma linguagem própria e uma maneira única de escrever, João Guimarães Rosa conquistou o cenário da literatura brasileira se tornando um ícone de referencia pra diversos escritores.

Nascido em 1908, Guimarães Rosa foi médico, escritor, diplomata, poliglota e gênio. Com diversos livros aplaudidos pela crítica e pelo público, suas obras se tornaram referência. Nascido em Cordisburgo, mudou-se para Belo Horizonte ainda garoto, onde permaneceu por bastante tempo. Cursou medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, porém mais tarde admitiu que não teria dom para tal profissão.

Dentre seus livros destaca-se Grande Sertão Veredas, Corpo de Baile e Sagarana, que foi a sua primeira obra a sair em livro. As suas histórias traz sempre como cenário o sertão Mineiro e suas peculiaridades, gírias locais, costumes, fauna e flora. Tudo contado de forma bastante poética e cheio de questionamentos, que eu diria existenciais.

“O senhor não duvide – tem gente, nesse aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta…”

Trecho de Grande Sertão Veredas.

O autor dias antes de sua morte, no ano de 1967 citou a seguinte frase: A gente morre é para provar que viveu, Guimarães provou sim, e ficou encantado e imortalizado como um grande nome da literatura mundial.

Grupo Corpo celebra 40 anos com Dança Sinfônica & Suíte Branca.

O Grupo Corpo foi idealizado pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras, após ter se encantado com a oficina de dança realizada pelo argentino Oscar Araiz durante um Festival de Inverno da UFMG. Junto de familiares igualmente talentosos, Paulo Pederneiras (diretor-artístico), Pedro Pederneiras (diretor-técnico) e Miriam Pederneiras (assistente de coreografia), criou a mais famosa companhia de dança contemporânea do Brasil e uma das mais importantes do mudo.

Grupo Corpo, representado por Cristina de Castillo Santos e Miriam Pederneiras Barbosa, recebendo a Ordem do Mérito Cultural do Presidente Lula em 2006

Grupo Corpo, representado por Cristina de Castillo e Miriam Pederneiras, recebendo a Ordem do Mérito Cultural do Presidente Lula em 2006

O Grupo foi fundado em Belo Horizonte no ano de 1975, mas só no ano seguinte estrearia seu primeiro espetáculo, Maria Maria, com a música homônima composta por Milton Nascimento, roteiro de Fernando Brant e coreografia do Oscar Araiz. O balé foi um sucesso, ficando seis anos em cartaz e percorrendo 14 países.

Cena de “Maria, Maria”, o primeiro espetáculo montado pelo Grupo Corpo, em 1976 

Cena de “Maria, Maria”, o primeiro espetáculo montado pelo Grupo Corpo, em 1976.

Este êxito não foi ao acaso, suas novas peças continuaram a lotar teatros confirmando o talento de seus artistas. Hoje a companhia possui 35 coreografias e 2.200 récitas na bagagem e ao todo mantém mais de 10 balés no repertório. Suas apresentações percorrem o mundo em lugares tão diversos quanto Islândia, Coréia do Sul e Líbano. E é essa história de trabalho árduo, criatividade e conquistas que que o Grupo Corpo celebra neste mês com dois balés inéditos, Dança Sinfônica e Suíte Branca, cujas coreografias são respectivamente de Rodrigo Pederneira e Cassi Abranches.

Procurando novamente resgatar suas raízes o grupo buscou a contribuição de dois ícones mineiros para conceber o comemorativo programa duplo. Assinando a trilha de Suíte Branca, balé que abre o espetáculo, está o músico Samuel Rosa, mais conhecido por ser o vocalista da banda de pop rock Skank. A música de Dança Sinfônica, por sua vez, foi elaborada pelo músico e compositor Marco Antônio Guimarães, que convidou para a gravação em estúdio seu grupo, Uakti Oficina Instrumental, um dos mais originais do Brasil, bem como também a excepcional Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sob a direção do maestro Fabio Mechetti.

Rodrigo Pederneiras, fundador e coreógrafo do Grupo Corpo.

A primeira parte da obra representa todo o passado da companhia, passando pelas dificuldades e sucessos em sua trajetória. Já a segunda parte representa as expectativas para o futuro. O branco do próprio nome da peça, do cenário e dos figurinos simbolizam todas infinitas possibilidades temáticas e induz ao processo criativo. Embora o futuro seja sempre incerto, se depender da dedicação na direção da família Pederneiras, podemos ficar tranquilos que o Grupo Corpo ainda terá muito o que celebrar.

O espetáculo Dança Sinfônica & Suíte Branca estreia dia 5 e fica até dia 9 no Palácio das Artes em Belo Horizonte. Segue para o Teatro Alfa em São Paulo do dia 13 a 23 e termina no no Theatro Municipal do Rio de janeiro com apresentações do dia 3 a 7 de setembro.

“Quando se vê o GRUPO CORPO dançando, é como se as questões do trânsito entre a natureza e a cultura estivessem sendo bem respondidas. São os diversos Brasis, o passado e o futuro, o erudito e o popular, a herança estrangeira e a cor local, o urbano e o suburbano, tudo ao mesmo tempo sendo resolvido como arte. Arte brasileira. Arte do mundo.” Helena Katz, professora e crítica de dança.