A reciclagem que ensina a programar

Na última segunda-feira (19), os estudantes de comunicação social do Centro Universitário Newton Paiva, receberam o professor Liberato Silva para conferir sua palestra “Criatividade que vem do lixo: como transformar sucata em conhecimento”. Em sua apresentação, o professor emocionou a todos com sua trajetória de vida e projeto de ensino a crianças carentes.

palestra

Natural de Jaboatão dos Guararapes/PE, foi expulso de casa ainda adolescente sem completar ao menos o ensino fundamental. Por sorte, foi acolhido por um vizinho generoso que lhe ajudou a desenvolver o hábito da leitura. Mas só quando entrou no exército encarou os estudos, chegando ao segundo ano do ensino médio. Liberato poderia seguir carreira no quartel, mas preferiu fazer seu caminho. Ele sabia que sua vocação era outra.

Mudou-se quase que por impulso para Belo Horizonte. Ouviu bons relatos sobre a cidade e arriscou. Chegou sem ter onde se alojar ou trabalhar e suas primeiras noites passou dormindo na Praça da Liberdade. Após fazer alguns pequenos trabalhos para se sustentar, decidiu mudar de vida. Como sempre gostou das áreas de exatas, passou a frequentar como ouvinte as aulas de engenharia elétrica, inteligência artificial e linguagem da programação da UFMG. Ainda que não estivesse de fato cursando as disciplinas pode aprender tanto quanto seus colegas.

12017628_10207791639696632_8750116854215982342_oCerto dia escutou que a FIAT estava com dificuldade de encontrar um programador que desenvolvesse um projeto que atendesse suas diretrizes e as da matriz na Itália.  Era necessário que o técnico soubesse italiano, mas Liberato não desistiu. Estudou intensamente e em poucos dias aprendeu o básico da língua e conseguiu fechar contrato com a empresa.  O código desenvolvido com sucesso agradou aos empresários e sua fama no meio empresarial e acadêmico deslanchou. Seu trabalho foi reconhecido por empresas e instituições de ensino de renome como o como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Stanford University nos EUA. Liberato passou a ser convidado para desenvolver projetos, dar palestras e escrever artigos sobre tecnologia da informação, robótica e mecatrônica educacional.

roda giganteApós passar a ministrar aulas de robótica para alunos de escolas particulares, Liberato criou o projeto “Robótica com lixo digital”, que ensina a crianças, jovens e adultos a importância do aprendizado escolar por meio da Robótica. Incomodado com a quantidade de computadores velhos que uma instituição jogaria no lixo, o professor pediu todas as máquinas para utilizar em suas aulas. Assim, para auxiliar na preservação do meio ambiente e ainda poupar custos das instituições passou a utilizar o lixo digital em suas construções. Tudo pode ser reaproveitado, mouses, scannes, baterias, pilhas e cabos são utilizados na construções de carrinhos, máquinas e robôs de diferentes formas. Até palitos de churrasco se transformam em uma réplica de roda gigante nas mãos do professor.

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Atualmente ele desenvolve projetos com a PUC Minas, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Fundação Torino, Fundação Dom Cabral, Centro Universitário Izabela Hendrix e Colégio Tiradentes e dá aulas regulares para o Colégio Dona Clara. Quando questionado sobre a maior dificuldade em despertar nas crianças o interesse pelas áreas exatas, Liberato tem a reposta na ponta da língua “o problema é quando não se consegue desenvolver um projeto em algo prático, as pessoas precisam tocar no conhecimento e se você não cria isso, você não estimula o aprendizado.”

Liberato Silva representa o que há de mais moderno no ensino, a necessidade de inovar a educação e mostrar para nossas crianças a magia da ciência. O Brasil precisa investir em pesquisa e formar mais cientistas e isto só será possível quando adotarmos projetos como este que aplicam o conhecimento. A palestra foi encerrada com a demonstração de como transformar o uso de objetos aparentemente descartáveis. Certamente as lições de vida, criatividade e superação ficaram marcadas em todos os alunos que participaram do evento.

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Exposição de moda reflete cultura mineira da década de 80

O Grupo Mineiro de Moda foi o início de todos os movimentos que surgiram na moda mineira, inclusive o famoso “MinasTrend”, transformando Belo Horizonte em um polo lançador de tendências. A exposição “Grupo Mineiro de Moda #A Vanguarda dos anos 80” é o registro historiográfico sobre a trajetória desta associação de estilistas que projetaram a moda mineira para o cenário nacional.

O Grupo foi responsável por colocar a capital de Minas na rota dos compradores e da imprensa brasileira e inicialmente era composto pelas grifes Artimanha (hoje Mabel Magalhães), Allegra, Art Man, Bárbara Bela, Comédia, Femme Fatale (depois Eliana Queiróz), Frizon (depois Mônica Torres), Patachou, Pitti (depois Renato Loureiro), Straccio (substituída, mais tarde, pela IBZ).  A exposição fica em cartaz até o dia 20 de dezembro no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte e tem entrada gratuita.

Marta Guerra, gestora do CRModa, conta a imprensa um pouco sobre a  exposição: “Através da moda, Minas criou uma forma de expressão própria e consolidou sua identidade cultural. A valorização regional no design tornou-se fundamental para a compreensão das características e hábitos da cultura mineira. A exposição deverá refletir um amplo exercício de pesquisa sobre o vestuário sob os aspectos da economia, da geografia, da história econômica, dos costumes, da indústria têxtil, dos avanços tecnológicos, da cultura local, dos produtos naturais, da mão de obra, da estética, do significado social dentre outros”.

A curadoria é do estilista Renato Loureiro e o projeto expográfico é do arquiteto Pedro Lázaro. Juntos optaram por apresentar brevemente sobre a história do Grupo e sua relação com o contexto do período em que foi consolidado nacional e internacionalmente. A exposição é imperdível não somente para os amantes da moda, mas igualmente para todos que tem curiosidade sobre  a cultura mineira e queiram vê-la refletidas sobre a moda dos anos 80.

Local: Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte

Rua da Bahia, 1149 – Centro – Belo Horizonte
(31) 3277-4265/ (31) 3277-4384

Belo Horizonte Rosa

Outubro é o mês oficial da conscientização do câncer de mama. É o responsável pela morte de milhares de mulheres anualmente. A campanha outubro rosa surgiu em 1990 e visa alertar da importância do exame de mamografia. Ocorre em diversos locais do mundo e Belo Horizonte não fica de fora. Vários pontos da cidade costumam se colorir para lembrar a todos a importância do exame, além de material publicitário que fica espalhado em diversos cantos da cidade.

Os principais pontos da cidade já ganharam a nova tonalidade no dia 1° do mês, são eles: A cidade administrativa, o pirulito da praça sete, praça da liberdade, praça da estação, além de diversos prédios públicos pelo estado inteiro.

rosa

A partir dos quarenta anos é imprescindível que as mulheres realizem o exame, e com a cidade toda pintada de rosa, vai ser difícil dar a desculpa de que esqueceu. Esse ano a campanha além de debater sobre o câncer de mama, faz a alerta também para o câncer de colo de útero. Fique atenta e divulgue você também a ideia.

 

A Magia de Cálix

Ao misturar instrumentos tão diferentes como guitarra, bandolim e flauta, a banda mineira Cálix, faz seus ouvintes sonhar com um mundo de fantasia. Suas letras são verdadeiras poesias inspiradas em mitologias e sua música possui fortes influências de clássicos feito Jethro Tull, Beatles, The Who e Pink Floyd.

A banda formada pelo quinteto Renato Savassi (vocal, flauta, violão e bandolim), Sânzio Brandão (guitarra e violão), Marcelo Cioglia (baixo e vocal), Rufino Silvério (teclado e vocal) e André Godoy (bateria), começou a se apresentar em bares e calouradas em 1996,  fazendo covers de clássicos do rock internacional. Dois anos depois lançaram suas primeiras músicas autorais: “Novidades”, “Dança com Devas”, “No More Whispers” e “Caxinguelê”. Mil cópias foram vendidas somente mão a mão.

Em abril de 2000 surgiu o primeiro disco “Canções de Beurin”. Nesta época já contavam com uma legião de fãs pela capital mineira e o show de lançamento no Minascentro foi um grande sucesso. De forma independente, o álbum saiu com três mil cópias que foram vendidas em 5 meses, e logo foram prensadas mais 5 mil cópias. O disco foi distribuído inicialmente em Belo Horizonte e, através do selo Rock Symphony,  passou a ser vendido por todo o Brasil e também na Ásia, América Latina e Europa.

Após ganharem o mundo, Cálix recebeu o prêmio de melhor banda nacional de rock progressivo pelo site Rock Progressivo Brasil e recebeu uma lista de elogios de revistas especializadas no país e no exterior. Sendo considerada pela revista Holandesa Background Magazine um dos melhores discos sul-americanos dos últimos tempos.

Após dois anos de intenso trabalho, compondo, ensaiando e inovando ainda mais nos ritmos e melodias, o disco “A Roda” foi lançado no Grande Teatro do Palácio das Artes em Belo Horizonte com participação da orquestra de câmara do Sesiminas, se tornando mais um sucesso entre os fãs e a crítica. Durante sua trajetória, Cálix produziu também o álbum Ventos de Outono e um DVD  ao vivo se consagrando como uma das maiores bandas independentes do país. Graças a energia contagiante no palco e o seu instrumental rico e variado, eles continuam a fazer shows de norte ao sul do país, agradando pessoas de todas as idades.

Na última virada cultural, embora possuíssem um dos horários mais ingratos do evento, às 06:30, a banda foi responsável por um enorme público, emocionando os músicos. Muitos dos presentes driblaram o sono e mesmo após inúmeras apresentações aguardaram ansiosamente o show mágico de Cálix que como sempre atendeu a expectativa de todos os presentes.