Maior que a Comic Con?

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O FIQ, Festival Internacional de quadrinhos que ocorreu em Belo Horizonte dos dias 11 a 15 de novembro reuniu os amantes de HQ e artistas de vários locais do Brasil e do mundo.  Em sua 9° edição o homenageado foi Antonio Cedraz, criador da turma do xaxado.  O FIQ ocorre a cada dois anos e é um evento de grande magnitude. Segundo o blog Britânico “Bleeding Cool” o festival já superou em números de visitantes a Comic Con em São Diego.

O evento conta com palestras, oficinas e quadrinhos dos mais variados estilos.  Mauricio de Souza, Duke, Jean Wang, Howard Chaykin e Cameron Stwart são apenas alguns dos diversos artistas que passaram pelo local nos cinco dias de evento. Mario Cesar que compareceu ao evento pela quarta vez frisa a importância desse tipo de acontecimento para a divulgação de artistas brasileiros. “ Isso aqui é um patrimônio brasileiro”, diz ele.

O próximo FIQ ocorre apenas 2017, mas em 2016 a Bienal do livro vem com tudo e já está com a data confirmada, ocorrerá do dia 14 a 24 de abril.

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Mais diversidade, por favor!

GIRIAS

Dizem Que mineiro é desconfiado. Dizem também que é tímido, que “come quieto”. Falam que somos todos bons anfitriões e extremamente receptivos. Contam que amamos abreviar as palavras e que temos um sotaque do interior gostoso de ouvir. Especulam que bebemos café, comemos pão de queijo e doce de leite o tempo todo.  Contam que tudo pra nós é trem. Ah não se esqueçam do uai. U-A-I, palavra sem significado certo, mas essencial em um diálogo.

Em um país tão rico, olhar as particularidades de cada estado é fascinante. Cada cantinho tem o seu brilho especial. Os hábitos alimentares, as gírias, os costumes, tudo muda.  Em uma conversa de um Baiano, carioca e um mineiro é nítido quem é quem. O “uai”, o “s” puxado e o “óh meu rei” em tom lento, identifica cada personagem. Isso é o incrível nesse país de proporções gigantescas. Mas, por qual motivo querem camuflar essa diversidade?

Quando ligamos na TV, em um Jornal de alcance nacional, não é visto notícias de todo o território, e nem mesmo o sotaque de cada local. Tudo deve ser alinhado a São Paulo, da maneira mais neutra possível. As novelas não mostram a diversidade cultural, e quando o têm é algo totalmente forçado e exagerado. Um estereótipo deturpado da realidade. O Brasil gira em torno de São Paulo e Rio de Janeiro, o que pode ser plausível se pensarmos que estas duas cidades são realmente importantes para o país. São Paulo como sendo o centro financeiro e Rio como ponto turístico. Mas e as belas praias do nordeste? As belezas do Sul? As cidades históricas mineiras? Falta atribuir valor a essa heterogeneidade brasileira.

Noticie os crimes da Bahia assim como os de São Paulo, divulgue o turismo de outros estados que não o Rio. Coloque uma protagonista com um sotaque mineiro na novela, mas não falo daquela mineira do interior estereotipada que já foi explorada. Falo de uma mineira genuína encontrada andando de shorts jeans e all star na praça sete. Mostre o valor do Brasil. Mostre a grandiosidade desse país que é tão admirado justamente por sua diversidade.

Índios, negros, loiros, ruivos, orientais, mestiços. Esse é o Brasil, isso é o que nos torna únicos e inteiramente brasileiros. Uai, mas esse não era para ser um texto sobre Minas? Ah mineiro é assim mesmo quer juntar todo mundo para uma prosa boa sô.