Uma volta ao passado no Quarteirão do Soul

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Nos dois últimos sábados do mês, no centro da cidade, dezenas de pessoas se reúnem para dançar o melhor da Soul Music. Esqueça passinhos de rosto colado ou coreografias ensaiadas, tudo é feito no improviso. O segredo é seguir o ritmo e se deixar entrar em um estado quase que de transe e euforia. Geraldo Antônio, um dos fundadores do Quarteirão do Soul, afirma “isso aqui é terapia, se você está com depressão, entra na pista que você se cura”.

Geraldinho, como é carinhosamente chamado pelo público, comanda ao lado do DJ Joseph, as batidas desta festa. Inicialmente a proposta era reunir velhos amigos que frequentavam os chamados bailes black no centro da cidade nos anos 70.  Com o passar dos anos, as festas foram sendo expulsas para as periferias. Este é mais um desses impressionantes eventos culturais espontâneos que se apropria do espaço público e promove a livre expressão do indivíduo. Ainda hoje ela ocorre gratuitamente e recebe de braços abertos de dançarinos da velha guarda a transeuntes curiosos.

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Foto: Lucas Jacovini

Para os saudosistas, o baile não decepciona, a maioria vai à caráter. Black power, ternos impecáveis, chapéus, suspensórios e sapatos bicolores fazem parte do cenário que provoca a sensação de uma viagem no tempo. Mas a proposta vai muito além de curtir os embalos do sábado à tarde, é também uma forma de expressão de orgulho da cultura negra. Segundo a pesquisadora da UFMG, Rita Aparecida da Conceição Ribeiro “o movimento se caracteriza pela afirmação da identidade de seus participantes, que se espelham no discurso de igualdade, na vestimenta e na dança criados pelo movimento soul e na figura do cantor James Brown”.

O Soul Music, ou Música da Alma, em tradução livre, teve seu auge na voz de artistas negros e foi influenciado pelos discursos de anti-racismo e liberalismo social na década de 60 nos Estados Unidos. A marginalidade imposta aos afrodescendentes neste período não foi suficiente para barrar o sucesso de suas músicas. O evento assume toda a essência dessa época, sem intenções comerciais, ele sobrevive da união daqueles que contribuem para que o baile aconteça.

 Não se deixa intimidar pela falta de habilidade nos pés ou do traje ideal, todos são bem recebidos. O único requisito desta festa é não ter medo de se jogar na pista.

Local: Rua Tamóios entre Paraná e Curitiba, das 14h às 22h.

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