PUC Minas recebe a cineasta Petra Costa para sessão comentada com os alunos

O diretório acadêmico de psicologia exibiu gratuitamente o filme “Olmo e a Gaivota” no dia 04 de março no auditório da biblioteca da PUC Minas-São Gabriel. O evento contou com a presença da diretora  belo-horizontina  Petra Costa que falou sobre o longa e a sua carreira.

O documentário acompanha a difícil gestação da atriz italiana Olivia Corsini. Sua gravidez de risco a levou a ficar de repouso absoluto dentro de casa durante os nove meses da gestação e a perda do papel principal na peça “A Gaivota” de Tchekov. O telespectador se torna testemunha da frustração e angustias da atriz que perde importante turnê internacional e a sua liberdade.

Somos convidados a percorrer o seu interior, revivemos o seu passado, relacionamentos, medos e desejos. Nessa jornada de autodescobrimento Olivia vê no seu reflexo as duas personagens da peça, a Arkadina, atriz que está envelhecendo, e Nina, que enlouquece. O filme, deste modo, quebra um poderoso tabu por não exibir a gravidez somente como algo comemorativo, mas também como um fator de dúvidas e inseguranças. Petra nos alerta que o único filme a tratar a respeito das pressões da sociedade sobre a mulher grávida é o clássico de terror “O Bebê de Rosemary”, ainda que de forma muito exagerada, isso a inspirou a gravar sobre o tema.

A aluna de psicologia e irmã da diretora, Manoela Costa, falou sobre a importância de as mulheres poderem se identificar com a protagonista. “Os filmes romantizam muito a gravidez, muitas vezes as mulheres sofrem com a gestação e podem ter inclusive, depressão pós-parto, e sentem vergonha disso, enquanto não é preciso ter, é mais comum do que se imagina” afirma.

Já a aluna de jornalismo, Karoliny Alvarenga que é fã de Elena, primeiro longa da diretora, ficou feliz em saber da oportunidade de ver seu novo filme. Segundo a estudante ela só foi testemunha da parte boa da gravidez de suas irmãs, o filme a levou a ver a “realidade”, sobre todas as complicações que possam surgir e a refletir até onde um pai pode compreender o que a esposa passa durante este período.

O longa foi premiado no 68º Festival de Locarno na Suíça, onde fez sua estreia mundial no dia 10 de agosto. E ganhou o prêmio de melhor documentário no 17º Festival do Rio. No seu discurso de agradecimento Petra fez um polêmico apelo pela legalização do aborto. Na internet a cineasta sofreu inúmeros ataques e ficou surpresa com o enorme machismo brasileiro que ainda não conhecia. A cineasta acredita que parte deste machismo se dá ainda pela influência das religiões cristãs e aponta que embora a bíblia seja uma importante obra literária do qual todos deveriam ler, é também muito opressora com as mulheres.

Ainda que o filme trate de uma mulher que abraça sua gravidez e todos seus desafios, os conservadores não perdoaram seu discurso. A mineira relata que o perfil da Igreja Católica no Instagram pediu que boicotassem seu filme e divulgou sua conta fazendo com que sofresse ataques por muitos meses. Ressaltou também que é preciso união e ativismo das mulheres para exigir seus direitos, inclusive trazendo os homens para o feminismo. Como resposta aos ataques sofridos convidou atores globais para gravar um vídeo sobre o machismo que se tornou um viral na internet e atraiu ainda mais pessoas para as salas de cinema.

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