PUC Minas recebe a cineasta Petra Costa para sessão comentada com os alunos

O diretório acadêmico de psicologia exibiu gratuitamente o filme “Olmo e a Gaivota” no dia 04 de março no auditório da biblioteca da PUC Minas-São Gabriel. O evento contou com a presença da diretora  belo-horizontina  Petra Costa que falou sobre o longa e a sua carreira.

O documentário acompanha a difícil gestação da atriz italiana Olivia Corsini. Sua gravidez de risco a levou a ficar de repouso absoluto dentro de casa durante os nove meses da gestação e a perda do papel principal na peça “A Gaivota” de Tchekov. O telespectador se torna testemunha da frustração e angustias da atriz que perde importante turnê internacional e a sua liberdade. Continuar lendo

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A reciclagem que ensina a programar

Na última segunda-feira (19), os estudantes de comunicação social do Centro Universitário Newton Paiva, receberam o professor Liberato Silva para conferir sua palestra “Criatividade que vem do lixo: como transformar sucata em conhecimento”. Em sua apresentação, o professor emocionou a todos com sua trajetória de vida e projeto de ensino a crianças carentes.

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Natural de Jaboatão dos Guararapes/PE, foi expulso de casa ainda adolescente sem completar ao menos o ensino fundamental. Por sorte, foi acolhido por um vizinho generoso que lhe ajudou a desenvolver o hábito da leitura. Mas só quando entrou no exército encarou os estudos, chegando ao segundo ano do ensino médio. Liberato poderia seguir carreira no quartel, mas preferiu fazer seu caminho. Ele sabia que sua vocação era outra.

Mudou-se quase que por impulso para Belo Horizonte. Ouviu bons relatos sobre a cidade e arriscou. Chegou sem ter onde se alojar ou trabalhar e suas primeiras noites passou dormindo na Praça da Liberdade. Após fazer alguns pequenos trabalhos para se sustentar, decidiu mudar de vida. Como sempre gostou das áreas de exatas, passou a frequentar como ouvinte as aulas de engenharia elétrica, inteligência artificial e linguagem da programação da UFMG. Ainda que não estivesse de fato cursando as disciplinas pode aprender tanto quanto seus colegas.

12017628_10207791639696632_8750116854215982342_oCerto dia escutou que a FIAT estava com dificuldade de encontrar um programador que desenvolvesse um projeto que atendesse suas diretrizes e as da matriz na Itália.  Era necessário que o técnico soubesse italiano, mas Liberato não desistiu. Estudou intensamente e em poucos dias aprendeu o básico da língua e conseguiu fechar contrato com a empresa.  O código desenvolvido com sucesso agradou aos empresários e sua fama no meio empresarial e acadêmico deslanchou. Seu trabalho foi reconhecido por empresas e instituições de ensino de renome como o como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Stanford University nos EUA. Liberato passou a ser convidado para desenvolver projetos, dar palestras e escrever artigos sobre tecnologia da informação, robótica e mecatrônica educacional.

roda giganteApós passar a ministrar aulas de robótica para alunos de escolas particulares, Liberato criou o projeto “Robótica com lixo digital”, que ensina a crianças, jovens e adultos a importância do aprendizado escolar por meio da Robótica. Incomodado com a quantidade de computadores velhos que uma instituição jogaria no lixo, o professor pediu todas as máquinas para utilizar em suas aulas. Assim, para auxiliar na preservação do meio ambiente e ainda poupar custos das instituições passou a utilizar o lixo digital em suas construções. Tudo pode ser reaproveitado, mouses, scannes, baterias, pilhas e cabos são utilizados na construções de carrinhos, máquinas e robôs de diferentes formas. Até palitos de churrasco se transformam em uma réplica de roda gigante nas mãos do professor.

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Atualmente ele desenvolve projetos com a PUC Minas, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Fundação Torino, Fundação Dom Cabral, Centro Universitário Izabela Hendrix e Colégio Tiradentes e dá aulas regulares para o Colégio Dona Clara. Quando questionado sobre a maior dificuldade em despertar nas crianças o interesse pelas áreas exatas, Liberato tem a reposta na ponta da língua “o problema é quando não se consegue desenvolver um projeto em algo prático, as pessoas precisam tocar no conhecimento e se você não cria isso, você não estimula o aprendizado.”

Liberato Silva representa o que há de mais moderno no ensino, a necessidade de inovar a educação e mostrar para nossas crianças a magia da ciência. O Brasil precisa investir em pesquisa e formar mais cientistas e isto só será possível quando adotarmos projetos como este que aplicam o conhecimento. A palestra foi encerrada com a demonstração de como transformar o uso de objetos aparentemente descartáveis. Certamente as lições de vida, criatividade e superação ficaram marcadas em todos os alunos que participaram do evento.

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Isaura mineira?

Bernardo Guimarães, autor brasileiro nascido em 1825 é considerado um grande escritor do romantismo nacional. Mineiro nascido em Ouro Preto formou-se em direito, porém não tinha muita afinidade com a profissão. A literatura desde sempre encantou o rapaz que era amigo próximo dos grandes escritores Alvarez de Azevedo e José de Alencar. Escreveu diversas obras. A que se destacou e o tornou popular foi o romance A escrava Isaura.

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A escrava Isaura foi publicado originalmente em 1875, treze anos antes da assinatura da lei áurea que abolia de vez a escravidão no nosso país. No momento de sua publicação já se vivia uma época de questionamentos e discussão acerca da escravidão. O livro foi extremamente importante, pois aqueceu ainda mais os debates da época.

Ícone do estilo romântico, a história se passa em torno de Isaura, uma escrava branca, criada como uma verdadeira dama. Isaura é uma mulher idealizada, descrita como modelo de perfeição, de beleza estonteante, educação impecável e honra intacta.

Isaura por sua beleza sempre recebeu muitos galanteios de diversos homens, contudo não dava ouvidos a nenhum deles. Sempre muito recatada não se achava superior as demais escravas por sua posição previlegiada. Depois da morte de sua senhora, Isaura ficou a mercê dos cuidados de Leôncio. Esse um rapaz sem escrúpulos, gostava apenas dos prazeres da vida, bebidas, mulheres e dinheiro. Leôncio então passa a cercar Isaura e ameaça-la, até que a pobre escrava resolve fugir com o seu pai para longe.

Refugiada em Recife, Isaura se apaixona por Álvaro, tendo o seu amor correspondido. Álvaro, rico e da alta sociedade ao saber que a sua amada era uma escrava faz de tudo para ajudar a libertá-la. Leôncio ao encontrar o paradeiro de Isaura, e depois de gastar todo o seu esforço e dinheiro em sua obsessiva busca trancafia a moça, que ao final é salva por seu amor, Álvaro. Totalmente perturbado, Leôncio acaba com um final trágico. Uma típica fórmula das obras românticas.

“-Era uma triste amor na verdade, um amor de escrava, um amor sem sorriso nem esperanças. Mas a ventura de ser amada pelo senhor era uma ideia tão consoladora para mim”.

Trecho do livro.

A maioria das pessoas, principalmente os jovens têm certa resistência a ler os clássicos por sua linguagem extremamente rebuscada e de difícil interpretação. A escrava Isaura é uma exceção. Com uma linguagem bem acessível, marcada apenas por gírias da época de fácil compreensão. Além de ser um ícone da literatura brasileira, retrata um período histórico importante e que formou o Brasil como conhecemos hoje. Uma coisa interessante sobre a leitura são os momentos em que o autor conversa diretamente com o escritor, realçando certas partes da história ou explicando os fatos ocorridos.

Escrava Isaura se tornou popular por suas diversas adaptações para a televisão. A rede Globo e a Record já adaptaram o romance, sendo um grande sucesso de público.  Fora do país a repercussão das novelas brasileiras também foi também muito positiva.

 A rede Globo de televisão foi a primeira a adaptar o romance, em 1976. Lucélia Santos foi a responsável a dar vida a escrava. O papel rendeu a atriz o prêmio Águia de Ouro, na China. Primeira atriz estrangeira a receber o prêmio no país. A atriz foi premiada por vários outros prêmios em diversos lugares do mundo. A escrava Isaura está na lista das novelas mais comercializadas no exterior, mesmo depois de tantos anos. Uma curiosidade é que em certo momento da novela a censura proibiu que se usasse a palavra “escravo”, foi necessário então substituir a palavra por “peça”.

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Bernardo Guimarães morreu em 1884, deixando obras como O seminarista, A dança dos ossos e O Ermitão de Múquem. O Perfil Bhz inclusive já fez um post sobre O seminarista que você pode conferir Aqui. O autor é dono de uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras.

Marcos, o anjo protetor dos bichos.

Marcos de Mourão Motta é um famoso médico veterinário que há mais de 25 anos atua ao lado de sua esposa Teresa Cristina Brini no cuidado de animais. Juntos fundaram a renomada clínica Cães e Amigos na região da Pampulha, onde se encontra serviços como clínica geral, cirurgias, hemopatia, vacinas, internamentos, banhos e tosas.

                         

Como todo profissional de sua área, iniciou sua carreira cuidando somente de cães e gatos, até que o primeiro desafio apareceu, curar um papagaio que tagarelava quase feito gente. Embora não tivesse aprendido muito sobre animais silvestres na universidade, ele aproveitou os conhecimentos adquiridos nos livros e cuidou do paciente inesperado. Saiu-se tão bem na sua função que outras aves começaram a chegar. Ainda hoje estima-se que somente mais seis médicos da capital tratam desses animais.

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Este episódio foi o início do que se tornou a Associação Asas e Amigos da Serra, um criadouro de 3.000 metros quadrados, na cidade de Juatuba, a apenas 42 quilômetros de Belo Horizonte. Inicialmente o lugar foi pensado para abrigar as aves abandonados por seus donos na clínica. Hoje, o que torna este sítio tão especial, são as histórias de superação de seus moradores. Entre eles estão uma mula queimada por um carroceiro, um tucano com o bico quebrado, uma siriema sem uma perna, um jabuti atropelado, um macaco parcialmente cego e centenas de aves com asas cortadas.

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Marcos não quer saber de pavões de caudas exuberantes ou de pássaros afinados, a preferência é para aqueles animais que ninguém quer. A maioria são animais doentes, vítimas do tráfico de animais, maus-tratos ou acidentes. Mas o sítio também abriga gatos e cachorros abandonados à espera de adoção, e espécies ameaçadas de extinção, como a ararajuba e o tamanduá-bandeira.

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O IBAMA, órgão do governo responsável por fiscalizar o tráfico de animais e recolher aqueles criados sem licença ou vítimas de atropelamento, recebe de 8 mil a 10 mil bichos só na Capital. Seus centros de triagem, conhecidos por Cetas, não só vivem lotados, como também não podem abrigar os animais depois do tratamento. O Asas e Amigos se tornou assim um importante centro de apoio, principalmente porque os bichos podem permanecer por lá. Contudo não são todos que encontram uma “vaga” e muitos acabam sendo sacrificados pelo Estado por não terem condições de retornar a natureza, seja por seu estado debilitado, ou por serem considerados muito mansos e domesticados.

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Os animais são inicialmente encaminhados a clínica particular de Marcos onde são feitos exames, tratamentos ou cirurgias, para depois decidir o destino final, aqueles quem se encontram novamente em condições de voltar ao seu habitat natural são devolvidos ao IBAMA para serem soltos, os demais permanecem no criadouro.

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Com a ajuda de três funcionários na ONG e uma conta de quase R$ 20 mil por mês com gastos em salários, comida, remédio e tratamento, Marcos banca o Asas e Amigos parte com a receita de sua clínica particular e parte com ajuda de doações. Hoje com mais de 500 animais, o sítio em Juatuba está com a capacidade esgotada. Não pelo tamanho da propriedade, que ainda comporta muitos bichos, mas pela falta de recursos financeiros. Marcos espera novas doações para não fechar as portas. Enquanto o dinheiro não chega, ele parou de frequentar os órgãos de fiscalização. Teme não resistir à situação dos hóspedes dali e trazê-los para cuidar no sítio.

Marcos Motta ao lado de Augusto Matos, presidente da SINDSEG, um de seus principais parceiros.

Marcos Motta ao lado de Augusto Matos, presidente da SINDSEG, um dos principais parceiros da Asas e Amigos..

Deste modo, a procriação dos animais silvestres não é recomendada, mas acontece. “Eu evito ao máximo, não deixo que construam ninhos, até porque o filhote vai ocupar o espaço de um animal que viria vítima de maus tratos”, diz Marcos. Em casos de animais ameaçados de extinção, porém, a procriação é incentivada. Os filhotes são posteriormente encaminhados ao IBAMA.

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Atualmente a ONG está investindo em uma área especial dentro do sítio para os projetos de conscientização ambiental. O objetivo é ensinar crianças do ensino fundamental sobre a importância do cuidado com a natureza e os animais. A estrutura é capaz de receber até 40 pessoas. A ideia surgiu após perceber que só iramos mudar a situação desses animais se mudarmos o comportamento das pessoas em relação aos bichos.

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As épocas do ano influenciam no número de animais resgatados graças à ação do homem. De junho a julho, a ONG recebe muitas aves sem asas por conta de linhas com cerol. No final do ano, são as queimadas as inimigas da vida silvestre. E, no início do ano, época de reprodução, é quando o tráfico acontece em maior número.

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Marcos é uma destas pessoas raras, que dedica sua vida, tempo e dinheiro aos outros. Seu cuidado e amor com estes animais maltratados é comovente. Seu espaço acaba funcionando não somente como um local de tratamento de bichos e preservação de animais à beira da extinção, mas principalmente como aposentadoria de animais rejeitados, que sofreram uma vida de abusos.

Cachoro, a espera de uma família que o adote.

Cachorro a espera de uma família que o adote.

Seu carinho é facilmente percebido por todos que conhecem seu trabalho. Minha família, cliente a muitos anos, é testemunha de todo seu sacrifício. Em seu nome e de todos estes animais, pedimos sua ajuda com contribuição em dinheiro, ou com doações de leite, carne, medicamentos, material de limpeza, jornais, comedouros e rações para cães, gatos, equinos e pássaros. Você pode ajudar também divulgando este bonito trabalho da Asas e Amigos.

Doações financeiras de qualquer valor podem ser efetuadas na seguinte conta: Banco Itaú – Agência: 0689. Conta Corrente: 02806-6. CNPJ: 14.745.015/0001-93.

Se desejar, entre em contato para conhecer o espaço e apadrinhar um animal, com doações de apenas R$ 20,00 por mês. Para entrar em contato com o Dr. Marcos, basta ligar para (31) 9303-1325.

A Rede Minas e a TV Horizonte fizeram excelentes reportagens sobre seu trabalho, assista abaixo para conhecer um pouco mais:

https://www.youtube.com/watch?v=26oQJ-WUXsA
https://www.youtube.com/watch?v=W2VZgVh3oAE

http://www.asaseamigos.com/
https://instagram.com/asaseamigos/

Entrevista com Alexandre Quirino

Quem acompanha o blog tem visto que venho postando entrevistas com novos autores mineiros, com isso tenho o intuito de divulgar novos autores daqui e mostrar a diversidade da nova literatura que vem surgindo. Para quem ainda não viu as entrevistas que já foram postadas, clique AQUI para ver o trabalho do Raphael Vidigal, e AQUI para conhecer o livro de Luiz Mauro Penacchi.

Hoje a entrevista foi com Alexandre Quirino, policial mineiro que resolveu se aventurar em uma história de fantasia. Alexandre acaba de publicar o livro príncipe do vento e topou uma conversa com o Perfil BHZ, abaixo você confere a entrevista completa.

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Alexandre você é policial, uma profissão que não têm muita ligação com a literatura, de onde veio a inspiração para escrever um livro de fantasia?

Sim, eu sou policial militar desde o ano de 2002, antes eu era militar do exército onde permaneci por cinco anos. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, no meio policial militar existem muitas pessoas talentosas, com talentos para as artes plásticas, música e a literatura, por exemplo, no passado um dos maiores escritores mineiros Guimarães Rosa, pertenceu as fileiras da Policia Militar e Minas Gerais, sendo que academia de letras da PMMG, leva seu nome.

Agora, a minha inspiração para escrever uma obra de fantasia, veio dos meus gostos pessoais mesmo, sendo que eu sempre gostei muito de literatura fantástica, ficção, história militar e RPG. Dessa forma, foi um caminho natural.

Qual é o diferencial do seu livro?

O diferencial deste meu trabalho, é que eu parti do principio de tentar trazer o ambiente e a trama de fantasia, para a nossa “realidade”, com nosso linguajar, nossas instituições, nosso cotidiano, acrescentando algumas pitadas de nossas lendas urbanas. Isso sem falar, que quando eu olhei para a mitologia a africana, em especial dos povos que foram trazidos cativos para o Brasil, ficou muito fácil identificar aqueles mitos, tais como personagens de uma trama de fantasia.

Hoje em dia o mercado editorial está muito concorrido, talvez por ter se tornado mais fácil publicar um livro, mas tudo tem pontos positivos e negativos. Quais são em sua opinião?

Isso mesmo, eu enxergo o cenário atual como muito positivo, afinal eu sou um dos favorecidos por essa nova tendência, pois eu publiquei, por uma plataforma de autopublicação, que é a Perse. Mas essa nossa realidade de mercado, torna -se ao mesmo temo democrática e seletiva, afinal todos aqueles que possuem o sonho de publicarem alguma obra, agora tem mais oportunidades, porém apenas permanecerão as obras e autores que possuírem talento e originalidade.

Seu livro estará a venda na Bienal do Rio de Janeiro, como está a ansiedade para o evento, já que ele proporciona uma divulgação bem positiva para os novos autores?

A melhor possível, quando finalizei a obra no começo deste ano, eu realmente não esperava já ter essa oportunidade de estar participando de evento dessa importância logo de cara.

Príncipe do vento definitiva

Por que a escolha do título príncipe do vento?

A escolha se deu pelas habilidades do personagem principal da trama, que é Oxaluá, do qual eu me inspirei na mitologia geral, afinal todos os povos da antiguidade, trazem algum relato de seres divinos tendo filhos com mulheres e dessa forma herdando alguma habilidade do seu genitor. Neste caso, a habilidade herdada, é digamos o controle sobre elemento ar, manifestado através do vento.

Quando se escreve um livro muitas das vezes é quase impossível não fazer referências a suas experiências e do ambiente em que vive, mesmo sendo ficção. No seu livro tem algum elemento que traz alguma característica de Minas Gerais?

Diretamente não, até porque a trama inicia-se fora do Brasil, no litoral angolano e depois vem para o Brasil, retornado para o continente africano ao final. Dessa maneira, as instituições locais no Brasil, por onde a trama se desenrola, não são localizadas em Minas Gerais, com exceção do caso Varginha.

Qual o seu livro de ficção favorito e por quê?

Tenho muitos, gosto muito dos Instrumentos Mortais, Ponto de Impacto do Dan Brown e no momento estou lendo Os Pré Mortais, do autor carioca Anderson Assis. Estou gostando muito do trabalho dele, por que aborda e tenta trazer a fantasia para nossa terra tupiniquim, só que de uma temática completamente diferente da minha.

Para você qual a importância da leitura para a vida das pessoas?

A literatura, realmente é super importante para qualquer pessoa, seja de qual nível ou classe social for. Afinal, eu sou do tempo pré TV a cabo, no final dos anos oitenta. E a minha principal fonte de aventura, quando se encerrava os desenhos animados pela manhã na TV, eram os livros da biblioteca municipal e as revistas em quadrinhos. E isso me influenciou em todas as áreas da minha vida e continua influenciando até os dias de hoje.

Se você se interessou pelo trabalho do Alexandre você pode adquirir um exemplar de príncipe dos ventos através desse LINK. E se você é um autor de Minas, ou acaba de publicar um livro que têm alguma relação com a temática do blog e gostaria que o Perfil BHZ falasse sobre o seu trabalho, entre em contato atravpes do email: amanda.vitoria94@yahoo.com.

Fernando Brant faz a travessia

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O ilustre compositor, Fernando Brant, morreu na última sexta-feira (12), aos 68 anos, em decorrência de complicações de um transplante de fígado. Sua morte é perda de uma parte da história viva deste país.

Brant escreveu sobre a mineiridade, a amizade, a infância, a esperança e emocionou o Brasil com a pureza de sua poesia. Ele nos ensinou que é preciso ter força, ter raça, é preciso ter gana sempre, que amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, que todo dia é dia de viver.

Juntos dos amigos do Clube da Esquina, como os irmãos Borges, Wagner Tiso, Nivaldo, Toninho Horta e Paulo Braga, compôs vários sucessos. Mas foi na voz do amigo, Milton Nascimento que ganhou seu melhor intérprete. Juntos, criaram mais de 200 músicas.

Maria Maria, Paisagem da Janela, Bola de Meia, Bola de Gude, Nos Bailes da Vida. Canção da América e Para Lennon e McCartney são apenas alguns dos inúmeros destaques de sua vasta obra. Em 1967 o emocionante Travessia ficou em segundo lugar no Festival Nacional da Canção Nova, promovida pela Rede Globo. E em 1998, as canções Janela Para o Mundo, e Louva-a-Deus foram integrados no repertório do disco Nascimento, premiado com o Grammy na categoria de melhor disco do mundo.

Brant é um símbolo de uma época menos egoísta, mais simples, honesta. Seu legado é sua arte e nada mais justo do que velá-lo no majestoso Palácio das Artes.

Dois dedos de prosa com Luiz Mauro Pennacchi

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Luiz Mauro Penacchi acaba de publicar um livro intitulado Reinado Solitário, uma coletânea de prosas e poesias, a maioria escrita em um momento que a insônia se tornou rotina. Penacchi é paulistano, porém se declara mineiro de coração. Gosta de fotografia, coleciona moedas antigas e ideias sobre tudo ao seu redor, o autor topou um bate papo com o Perfil Bhz, confira abaixo:

No seu perfil você se declara natural de Campinas, porém mineiro de coração, explique um pouquinho sobre essa relação com o estado.

Quando tinha 2 anos, meus pais resolveram mudar para Ouro Fino – Minas Gerais (cidade da família do meu Pai), e desde então vivo aqui, uma cidade acolhedora onde vivi meus melhores momentos e vivenciei oportunidades únicas. Foi sentado na janela da casa da minha avó que aprendi a contar com os vagões da Maria Fumaça que passava na rua de baixo, oportunidade que continuei a vivenciar até 1986, quando o trem já não era mais viável e os trilhos começaram a ser retirados.

Devido a isso e muitas outras fases importantes da minha vida que “adotei” Minas Gerais como um estado o qual aprendi a gostar e admirar.

Por que um livro de poesias?

Desde o mais áureo tempo observava meu talento na escrita e também meu desleixo no quesito organização. Escrevia poesias e crônicas em pedaços de papel, embalagem de pão, guardanapos e em qualquer espaço onde se podia “armazenar” uma frase, uma ideia. Devido a isso, não chamava meus textos de poesias, mas sim de “rabiscos”.

Em uma época da minha vida onde a insônia começava a ser rotina e em plena era digital, comprei uma máquina de escrever, a qual colocava em cima da minha barriga para datilografar deitado, tendo mais organização com os meus “rabiscos”.

Depois de muito tempo, com centenas de poesias escritas e guardadas em uma caixa debaixo da minha cama e com a ideia e incentivo da minha esposa, resolvi criar um livro.

 Qual a sua maior inspiração para a escrita?

A minha inspiração não vem de um nome de um grande escritor, um músico ou um rebelde que incentiva a “massa” na sociedade. Minha inspiração vem da natureza, de imagens, de uma nuvem que passa no céu. Minha inspiração surge com a minha felicidade, revolta ou derrota. Exatamente tudo é motivo de inspiração pra mim.

Ultimamente estou utilizando a fotografia para fonte de inspiração. Pego minha máquina digital, vou para o jardim da minha casa e registro cenas que nunca esperaríamos existir se não estivéssemos procurando a mesma.

 Conte um pouquinho sobre a escolha do título do seu livro, reinado solitário.

Em uma época da minha vida, quando tinha aproximadamente 25 anos, vivenciei a separação dos meus pais. Cada um seguiu sua vida (longe da casa que morávamos) e minha irmã já não morava conosco há alguns anos. Vi-me sozinho, morando em uma grande casa com um jardim imenso e desempregado, onde minhas únicas companhias eram meus cães e minha própria frustração e medo.

Nesta época, desiludido de muita coisa, um dia me peguei observando meu próprio reflexo no espelho, tentando encontrar uma resposta para tudo que estava acontecendo na ocasião. Obviamente que não encontrei uma resposta, mas escrevi “Reinado Solitário”, cujo alguns trechos coloco a seguir:

“O desespero do silêncio é algo incomum.

No silêncio exato, ele persiste em fazer barulho.

Eu ouço, eu sinto que existe algo…

 … Você se torna rei de um império vazio.

Faz-se uma festa para você mesmo, onde será o único convidado…”

Era como me sentia na época: Sozinho, amedrontado, com um império da vida e sem amigos.

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Qual a sua citação favorita?

“— Essa cova em que estás,

com palmos medida,

é a cota menor

que tiraste em vida.

— É de bom tamanho,

nem largo nem fundo,

é a parte que te cabe

neste latifúndio.”

 Morte e vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Qual o tipo de música que costuma não faltar na sua playlist?

Músicas. Adoro músicas. Elas me recompõem quando minha alma está dilacerada. Não gosto de novidades ou atualidades. Não tenho nem paciência para ouvi-las. Acredito que o melhor da música já foi feito décadas atrás. Depois disso, é tudo cópia.

Na minha playlist não falta o nosso rock nacional dos anos 80 como Camisa de Vênus, Biquini Cavadão, Cazuza e Raul Seixas. Esses fizeram história, cada um com suas ramificações e um jeito irreverente de ser.

Vira e mexe me pego dentro do meu Ford Maverick ouvindo a música “Simca Chambord”, do Marcelo Nova e fico imaginando aquela época vivida contada na música.

Do rock internacional, muita musica que surgiu nos anos 80 e primórdios, se encontram na minha playlist.

Escuto também muita música clássica, como Mozart, Bethoven e Sebastian Bach.

Da influência do meu pai, aprendi muito sobre o estilo “sertanejo raiz”, cujo a única diferença entre a música e uma excelente poesia está no som da viola.

Para os interessados no velho e bom rock n´roll, sugiro a webrádio Máquina Sonora, que pode ser acessada em www.maquinasonora.com.br. Ela é a minha playlist quando estou “fora de casa”.

Os seus “rabiscos” se inspiram nas diversas fases da sua vida, inclusive um momento depressivo que você viveu, a escrita de alguma forma te ajudou a superar essa fase?

De modo algum. Acredito que na fase depressiva, a escrita não influenciava em nada, apenas serviu para deixar registrado o que estava sentindo na época. Existem dezenas de “rabiscos” desta época que nunca ousei ler depois de escritos.

Têm mais algum projeto pela frente ou por enquanto é apenas o reinado solitário?

Estou no término de um livro de crônicas e poesias, ainda sem data para o lançamento. De projetos tenho algumas histórias para uma série de livros infantis, para o qual estou procurando uma editora para a concretização e uma ideia de um romance. Este último ainda não está no papel, mas está caminhando em meus pensamentos.

Defina Minas Gerais em uma palavra.

Saudosismo.

Se interessou pelo trabalho de Luiz? Você pode acessar a sua fanpage ou adquirir o livro pelo Clube de autores AQUI.

Bate papo com Raphael Vidigal

O assunto do post de hoje tem o intuito de falar sobre Raphael Vidigal, um belo horizontino, escritor, poeta, jornalista, letrista e responsável pelo site esquina musical.

Autor do livro Amor de morte entre duas vidas, contendo 75 poesias de sua autoria, Raphael declara que uma de suas maiores influências é o grandioso Cazuza, e quem já leu o meu perfil sabe que essa é uma característica comum a nós dois.

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Raphael topou um bate papo com o Perfil Bhz, onde faço algumas perguntas sobre o mundo da escrita, Belo Horizonte, e claro Cazuza, espia só.

raphaelQual é o autor que te inspirou a se tornar um?

São vários os autores, inclusive em mais de uma área. Por exemplo, as artes plásticas de Hélio Oiticica e Caravaggio, o cinema de Chaplin e Godard, o teatro de Nelson Rodrigues, a música de Lupicínio Rodrigues, a dança de Lennie Dale e Pina Bausch, e por aí vai. Na literatura posso citar Leminski, Mario Quintana, Manoel de Barros, Baudelaire, Allen Ginsberg, Rimbaud, enfim, pessoas que me dizem alguma coisa da vida.

Qual seu livro favorito?

É difícil citar só um. Fico com a lembrança dos mais recentes. “Os Cantos” de Ezra Pound e “A Insustentável Leveza do Ser”, do Milan Kundera, são livros perturbadores. Cada livro traz um sentimento novo, um prazer novo. Gostei muito de ler a coleção de poemas do e. e. cummings, assim como “Memória de minhas putas tristes”, do García Márquez e os contos da Virginia Woolf.

Qual a maior dificuldade que encontrou para a publicação do seu livro?

A maior dificuldade é a fomentação da cultura. Tenho a impressão de que, em qualquer lugar do mundo, o número de pessoas com acesso à leitura não informativa é cada vez mais reduzido. Fica difícil trabalhar em uma obra que, como produto de interação, não se sustenta. O escritor continuará a escrever, mesmo que só para si, mas provavelmente não sobreviverá a esse mundo. Há inúmeros casos de autores que foram lidos em uma quantidade representativa somente após a morte. Daí certa ‘tragédia da alma’, como dizia Oscar Wilde.

O que você tem a dizer sobre os Best Sellers atuais, que vêm conquistando muitos leitores, em contrapartida seguindo um modelo extremamente repetitivo e comercial?

 Os Best Sellers, que representam a massificação da cultura, sempre existiram. Sempre houve a Jovem Guarda, o Odair José, o pagode, o produto feito em laboratório para gerar lucro, como é o exemplo do sertanejo universitário, e cujo impulso inicial não é um sentimento, uma sensação autêntica, mas algo cartesianamente elaborado, e previamente, para gerar lucro. Daí se pode fazer um corte entre a arte e o entretenimento, que podem, sim, conviver na mesma obra, mas não o vejo no caso dos Best Sellers. O problema, porém, é que a indústria cresceu de tal forma que sufocou qualquer outra iniciativa que tenha um interesse um pouco menos voltado para a audiência e mais para a poesia, em seu conceito mais amplo. Na música, por exemplo, sempre aconteceram os festivais, a diferença entre eles e os programas de televisão que exploram esse modelo hoje em dia é que, antes, havia tanto pessoas interessadas na indústria quanto as interessadas na arte. Hoje a indústria tomou conta.

O seu livro foi dedicado a sua namorada, Alessandra. Você se considera romântico?

Claro, mas no sentido de tentar ver a beleza nas tragédias da vida, e não o idealista.

Da onde surgiu o seu amor pela música?

Meu pai e minha mãe sempre tiveram uma vasta coleção de discos, portanto desde cedo tive esse acesso. Quando estava na escola, na terceira série, tocaram a música “Brasil” do Cazuza, no dia da Independência, em que usualmente se tocava o “Hino Nacional”. Aquilo mexeu muito comigo. A partir deste momento fui descobrindo os ídolos do próprio Cazuza, como a Dalva de Oliveira, Maysa, Dolores Duran, daí por diante o amor pela música só cresce. Por conta disso trabalhei no programa “A Hora do Coroa”, na rádio Itatiaia, com o Acir Antão, por cinco anos, produzindo os textos e elaborando a seleção musical. Agora estou com um projeto aprovado na lei de incentivo, em que coloquei letra em 12 chorinhos do Waldir Silva, que por acaso também conheci no programa do Acir. O disco sai ainda esse ano e terá show também.

Defina o Cazuza em uma palavra.

Irreverência.

O que te inspira?

Um momento, uma palavra, uma pessoa, um animal, tudo e qualquer coisa.

Qual o seu local favorito em Belo Horizonte?

O bairro Caiçara, onde passei a minha infância. A infância é muito importante. Acho que é o lugar para onde sempre tentamos voltar. A improbabilidade da poesia é uma coisa muito infantil, de criança.

 Qual a dica que você dá para os novos escritores que vêm surgindo no mercado?

Alguém disse isso, esqueci o autor, mas vou repetir: “Se puder não escrever, não escreva”. O escritor é alguém que não consegue deixar de escrever, porque fora isso, só há obstáculos.

Para saber mais sobre esse jovem talento, acesse o seu site Esquina Musical, lá há informações de como aquirir o livro, além de matérias incríveis sobre o universo da arte, especialmente da música.

Sabino, de Belo Horizonte para o mundo

Belo Horizontino, Fernando Sabino é apenas mais uma das personalidades que traz orgulho a Minas e ao Brasil. Escritor e Jornalista, nasceu em 12 de outubro de 1923, um garoto precoce, escreveu seu primeiro texto aos 13 anos, publicado por uma revista da polícia mineira. Seu primeiro livro publicado foi Os grilos não cantam mais, em 1941. Com diversas obras conhecidas, algumas foram adaptadas para o cinema como: O homem nu e O grande mentecapto.

Fernando-Sabino

Sabino era um homem do Brasil e do mundo, fez o curso primário no grupo escolar Afonso Pena em Belo Horizonte, Cursou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1946 muda-se para Nova York onde fica dois anos, e foi lá que iniciou o romance O Grande Mentecapto que só finaliza  o trabalho 33 anos mais tarde. O escritor também já morou em Londres, e viajou por diversos países da Europa, América e extremo oriente.

“De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar, e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro”.

Trecho do livro Encontro Marcado.

Além do talento por qual é reconhecido, Sabino quando mais jovem, já foi escoteiro, nadador, já prestou serviço militar, professor de português e funcionário da secretária de Finanças do Estado de Minas Gerais. Isso são penas alguma das funções já exercidas pelo mestre.

Fernando Sabino faleceu em 2004, porém seu legado ficou, enchendo de Orgulho sua terra Natal. Quem ainda tem dúvidas que Belo Horizonte é um lugar especial?

No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho

6a00d83467174c53ef017d3d244bd5970c-800wiCarlos Drummond de Andrade, nasceu em 31 de outubro de 1902, e morreu aos 85 anos em 1987. Nascido em cidade pequena, Itabira interior de Minas Gerais, desde muito cedo era um garoto quieto e cheio de imaginação. Cursou farmácia, porém nunca exerceu a profissão. Já trabalhou como professor de Português e foi funcionário público. Em 1930, publicou o seu primeiro livro, Alguma poesia, com uma tiragem de apenas 500 exemplares, mas foi só em 1945 que se consolidou como escritor com o livro A rosa do povo. Sempre escreveu de tudo, crônicas, literatura infantil, conto, porém sempre deu maior ênfase a poesia. Seus livros já foram publicados em diversos países, como Chile, Peru, cuba, Estados Unidos, Suécia, dentre outros.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Considerado um dos escritores mais importantes do século XX, sua obra já foi severamente criticada pela imprensa, na sua publicação “no meio do caminho” a imprensa da época chegou a falar que aquilo não era poesia, e sim uma provocação por se tratar de meras repetições. Em Itabira, cidade natal do poeta existe o memorial Carlos Drummond de Andrade, com o intuito de preservar a memória do escritor, foi inaugurado em 1998, e tem o projeto arquitetônico assinado por ninguém menos que Oscar Niemayer, que, diga-se de passagem, era amigo pessoal do escritor. Com um acervo bem rico, o espaço é um dos principais pontos turísticos da cidade, que é conhecida justamente por ser a cidade natal do famoso escritor. Memorial-CDA