Mais diversidade, por favor!

GIRIAS

Dizem Que mineiro é desconfiado. Dizem também que é tímido, que “come quieto”. Falam que somos todos bons anfitriões e extremamente receptivos. Contam que amamos abreviar as palavras e que temos um sotaque do interior gostoso de ouvir. Especulam que bebemos café, comemos pão de queijo e doce de leite o tempo todo.  Contam que tudo pra nós é trem. Ah não se esqueçam do uai. U-A-I, palavra sem significado certo, mas essencial em um diálogo.

Em um país tão rico, olhar as particularidades de cada estado é fascinante. Cada cantinho tem o seu brilho especial. Os hábitos alimentares, as gírias, os costumes, tudo muda.  Em uma conversa de um Baiano, carioca e um mineiro é nítido quem é quem. O “uai”, o “s” puxado e o “óh meu rei” em tom lento, identifica cada personagem. Isso é o incrível nesse país de proporções gigantescas. Mas, por qual motivo querem camuflar essa diversidade?

Quando ligamos na TV, em um Jornal de alcance nacional, não é visto notícias de todo o território, e nem mesmo o sotaque de cada local. Tudo deve ser alinhado a São Paulo, da maneira mais neutra possível. As novelas não mostram a diversidade cultural, e quando o têm é algo totalmente forçado e exagerado. Um estereótipo deturpado da realidade. O Brasil gira em torno de São Paulo e Rio de Janeiro, o que pode ser plausível se pensarmos que estas duas cidades são realmente importantes para o país. São Paulo como sendo o centro financeiro e Rio como ponto turístico. Mas e as belas praias do nordeste? As belezas do Sul? As cidades históricas mineiras? Falta atribuir valor a essa heterogeneidade brasileira.

Noticie os crimes da Bahia assim como os de São Paulo, divulgue o turismo de outros estados que não o Rio. Coloque uma protagonista com um sotaque mineiro na novela, mas não falo daquela mineira do interior estereotipada que já foi explorada. Falo de uma mineira genuína encontrada andando de shorts jeans e all star na praça sete. Mostre o valor do Brasil. Mostre a grandiosidade desse país que é tão admirado justamente por sua diversidade.

Índios, negros, loiros, ruivos, orientais, mestiços. Esse é o Brasil, isso é o que nos torna únicos e inteiramente brasileiros. Uai, mas esse não era para ser um texto sobre Minas? Ah mineiro é assim mesmo quer juntar todo mundo para uma prosa boa sô.

A reciclagem que ensina a programar

Na última segunda-feira (19), os estudantes de comunicação social do Centro Universitário Newton Paiva, receberam o professor Liberato Silva para conferir sua palestra “Criatividade que vem do lixo: como transformar sucata em conhecimento”. Em sua apresentação, o professor emocionou a todos com sua trajetória de vida e projeto de ensino a crianças carentes.

palestra

Natural de Jaboatão dos Guararapes/PE, foi expulso de casa ainda adolescente sem completar ao menos o ensino fundamental. Por sorte, foi acolhido por um vizinho generoso que lhe ajudou a desenvolver o hábito da leitura. Mas só quando entrou no exército encarou os estudos, chegando ao segundo ano do ensino médio. Liberato poderia seguir carreira no quartel, mas preferiu fazer seu caminho. Ele sabia que sua vocação era outra.

Mudou-se quase que por impulso para Belo Horizonte. Ouviu bons relatos sobre a cidade e arriscou. Chegou sem ter onde se alojar ou trabalhar e suas primeiras noites passou dormindo na Praça da Liberdade. Após fazer alguns pequenos trabalhos para se sustentar, decidiu mudar de vida. Como sempre gostou das áreas de exatas, passou a frequentar como ouvinte as aulas de engenharia elétrica, inteligência artificial e linguagem da programação da UFMG. Ainda que não estivesse de fato cursando as disciplinas pode aprender tanto quanto seus colegas.

12017628_10207791639696632_8750116854215982342_oCerto dia escutou que a FIAT estava com dificuldade de encontrar um programador que desenvolvesse um projeto que atendesse suas diretrizes e as da matriz na Itália.  Era necessário que o técnico soubesse italiano, mas Liberato não desistiu. Estudou intensamente e em poucos dias aprendeu o básico da língua e conseguiu fechar contrato com a empresa.  O código desenvolvido com sucesso agradou aos empresários e sua fama no meio empresarial e acadêmico deslanchou. Seu trabalho foi reconhecido por empresas e instituições de ensino de renome como o como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Stanford University nos EUA. Liberato passou a ser convidado para desenvolver projetos, dar palestras e escrever artigos sobre tecnologia da informação, robótica e mecatrônica educacional.

roda giganteApós passar a ministrar aulas de robótica para alunos de escolas particulares, Liberato criou o projeto “Robótica com lixo digital”, que ensina a crianças, jovens e adultos a importância do aprendizado escolar por meio da Robótica. Incomodado com a quantidade de computadores velhos que uma instituição jogaria no lixo, o professor pediu todas as máquinas para utilizar em suas aulas. Assim, para auxiliar na preservação do meio ambiente e ainda poupar custos das instituições passou a utilizar o lixo digital em suas construções. Tudo pode ser reaproveitado, mouses, scannes, baterias, pilhas e cabos são utilizados na construções de carrinhos, máquinas e robôs de diferentes formas. Até palitos de churrasco se transformam em uma réplica de roda gigante nas mãos do professor.

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Atualmente ele desenvolve projetos com a PUC Minas, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Fundação Torino, Fundação Dom Cabral, Centro Universitário Izabela Hendrix e Colégio Tiradentes e dá aulas regulares para o Colégio Dona Clara. Quando questionado sobre a maior dificuldade em despertar nas crianças o interesse pelas áreas exatas, Liberato tem a reposta na ponta da língua “o problema é quando não se consegue desenvolver um projeto em algo prático, as pessoas precisam tocar no conhecimento e se você não cria isso, você não estimula o aprendizado.”

Liberato Silva representa o que há de mais moderno no ensino, a necessidade de inovar a educação e mostrar para nossas crianças a magia da ciência. O Brasil precisa investir em pesquisa e formar mais cientistas e isto só será possível quando adotarmos projetos como este que aplicam o conhecimento. A palestra foi encerrada com a demonstração de como transformar o uso de objetos aparentemente descartáveis. Certamente as lições de vida, criatividade e superação ficaram marcadas em todos os alunos que participaram do evento.

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Exposição de moda reflete cultura mineira da década de 80

O Grupo Mineiro de Moda foi o início de todos os movimentos que surgiram na moda mineira, inclusive o famoso “MinasTrend”, transformando Belo Horizonte em um polo lançador de tendências. A exposição “Grupo Mineiro de Moda #A Vanguarda dos anos 80” é o registro historiográfico sobre a trajetória desta associação de estilistas que projetaram a moda mineira para o cenário nacional.

O Grupo foi responsável por colocar a capital de Minas na rota dos compradores e da imprensa brasileira e inicialmente era composto pelas grifes Artimanha (hoje Mabel Magalhães), Allegra, Art Man, Bárbara Bela, Comédia, Femme Fatale (depois Eliana Queiróz), Frizon (depois Mônica Torres), Patachou, Pitti (depois Renato Loureiro), Straccio (substituída, mais tarde, pela IBZ).  A exposição fica em cartaz até o dia 20 de dezembro no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte e tem entrada gratuita.

Marta Guerra, gestora do CRModa, conta a imprensa um pouco sobre a  exposição: “Através da moda, Minas criou uma forma de expressão própria e consolidou sua identidade cultural. A valorização regional no design tornou-se fundamental para a compreensão das características e hábitos da cultura mineira. A exposição deverá refletir um amplo exercício de pesquisa sobre o vestuário sob os aspectos da economia, da geografia, da história econômica, dos costumes, da indústria têxtil, dos avanços tecnológicos, da cultura local, dos produtos naturais, da mão de obra, da estética, do significado social dentre outros”.

A curadoria é do estilista Renato Loureiro e o projeto expográfico é do arquiteto Pedro Lázaro. Juntos optaram por apresentar brevemente sobre a história do Grupo e sua relação com o contexto do período em que foi consolidado nacional e internacionalmente. A exposição é imperdível não somente para os amantes da moda, mas igualmente para todos que tem curiosidade sobre  a cultura mineira e queiram vê-la refletidas sobre a moda dos anos 80.

Local: Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte

Rua da Bahia, 1149 – Centro – Belo Horizonte
(31) 3277-4265/ (31) 3277-4384

Belo Horizonte Rosa

Outubro é o mês oficial da conscientização do câncer de mama. É o responsável pela morte de milhares de mulheres anualmente. A campanha outubro rosa surgiu em 1990 e visa alertar da importância do exame de mamografia. Ocorre em diversos locais do mundo e Belo Horizonte não fica de fora. Vários pontos da cidade costumam se colorir para lembrar a todos a importância do exame, além de material publicitário que fica espalhado em diversos cantos da cidade.

Os principais pontos da cidade já ganharam a nova tonalidade no dia 1° do mês, são eles: A cidade administrativa, o pirulito da praça sete, praça da liberdade, praça da estação, além de diversos prédios públicos pelo estado inteiro.

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A partir dos quarenta anos é imprescindível que as mulheres realizem o exame, e com a cidade toda pintada de rosa, vai ser difícil dar a desculpa de que esqueceu. Esse ano a campanha além de debater sobre o câncer de mama, faz a alerta também para o câncer de colo de útero. Fique atenta e divulgue você também a ideia.

 

A Magia de Cálix

Ao misturar instrumentos tão diferentes como guitarra, bandolim e flauta, a banda mineira Cálix, faz seus ouvintes sonhar com um mundo de fantasia. Suas letras são verdadeiras poesias inspiradas em mitologias e sua música possui fortes influências de clássicos feito Jethro Tull, Beatles, The Who e Pink Floyd.

A banda formada pelo quinteto Renato Savassi (vocal, flauta, violão e bandolim), Sânzio Brandão (guitarra e violão), Marcelo Cioglia (baixo e vocal), Rufino Silvério (teclado e vocal) e André Godoy (bateria), começou a se apresentar em bares e calouradas em 1996,  fazendo covers de clássicos do rock internacional. Dois anos depois lançaram suas primeiras músicas autorais: “Novidades”, “Dança com Devas”, “No More Whispers” e “Caxinguelê”. Mil cópias foram vendidas somente mão a mão.

Em abril de 2000 surgiu o primeiro disco “Canções de Beurin”. Nesta época já contavam com uma legião de fãs pela capital mineira e o show de lançamento no Minascentro foi um grande sucesso. De forma independente, o álbum saiu com três mil cópias que foram vendidas em 5 meses, e logo foram prensadas mais 5 mil cópias. O disco foi distribuído inicialmente em Belo Horizonte e, através do selo Rock Symphony,  passou a ser vendido por todo o Brasil e também na Ásia, América Latina e Europa.

Após ganharem o mundo, Cálix recebeu o prêmio de melhor banda nacional de rock progressivo pelo site Rock Progressivo Brasil e recebeu uma lista de elogios de revistas especializadas no país e no exterior. Sendo considerada pela revista Holandesa Background Magazine um dos melhores discos sul-americanos dos últimos tempos.

Após dois anos de intenso trabalho, compondo, ensaiando e inovando ainda mais nos ritmos e melodias, o disco “A Roda” foi lançado no Grande Teatro do Palácio das Artes em Belo Horizonte com participação da orquestra de câmara do Sesiminas, se tornando mais um sucesso entre os fãs e a crítica. Durante sua trajetória, Cálix produziu também o álbum Ventos de Outono e um DVD  ao vivo se consagrando como uma das maiores bandas independentes do país. Graças a energia contagiante no palco e o seu instrumental rico e variado, eles continuam a fazer shows de norte ao sul do país, agradando pessoas de todas as idades.

Na última virada cultural, embora possuíssem um dos horários mais ingratos do evento, às 06:30, a banda foi responsável por um enorme público, emocionando os músicos. Muitos dos presentes driblaram o sono e mesmo após inúmeras apresentações aguardaram ansiosamente o show mágico de Cálix que como sempre atendeu a expectativa de todos os presentes.

Isaura mineira?

Bernardo Guimarães, autor brasileiro nascido em 1825 é considerado um grande escritor do romantismo nacional. Mineiro nascido em Ouro Preto formou-se em direito, porém não tinha muita afinidade com a profissão. A literatura desde sempre encantou o rapaz que era amigo próximo dos grandes escritores Alvarez de Azevedo e José de Alencar. Escreveu diversas obras. A que se destacou e o tornou popular foi o romance A escrava Isaura.

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A escrava Isaura foi publicado originalmente em 1875, treze anos antes da assinatura da lei áurea que abolia de vez a escravidão no nosso país. No momento de sua publicação já se vivia uma época de questionamentos e discussão acerca da escravidão. O livro foi extremamente importante, pois aqueceu ainda mais os debates da época.

Ícone do estilo romântico, a história se passa em torno de Isaura, uma escrava branca, criada como uma verdadeira dama. Isaura é uma mulher idealizada, descrita como modelo de perfeição, de beleza estonteante, educação impecável e honra intacta.

Isaura por sua beleza sempre recebeu muitos galanteios de diversos homens, contudo não dava ouvidos a nenhum deles. Sempre muito recatada não se achava superior as demais escravas por sua posição previlegiada. Depois da morte de sua senhora, Isaura ficou a mercê dos cuidados de Leôncio. Esse um rapaz sem escrúpulos, gostava apenas dos prazeres da vida, bebidas, mulheres e dinheiro. Leôncio então passa a cercar Isaura e ameaça-la, até que a pobre escrava resolve fugir com o seu pai para longe.

Refugiada em Recife, Isaura se apaixona por Álvaro, tendo o seu amor correspondido. Álvaro, rico e da alta sociedade ao saber que a sua amada era uma escrava faz de tudo para ajudar a libertá-la. Leôncio ao encontrar o paradeiro de Isaura, e depois de gastar todo o seu esforço e dinheiro em sua obsessiva busca trancafia a moça, que ao final é salva por seu amor, Álvaro. Totalmente perturbado, Leôncio acaba com um final trágico. Uma típica fórmula das obras românticas.

“-Era uma triste amor na verdade, um amor de escrava, um amor sem sorriso nem esperanças. Mas a ventura de ser amada pelo senhor era uma ideia tão consoladora para mim”.

Trecho do livro.

A maioria das pessoas, principalmente os jovens têm certa resistência a ler os clássicos por sua linguagem extremamente rebuscada e de difícil interpretação. A escrava Isaura é uma exceção. Com uma linguagem bem acessível, marcada apenas por gírias da época de fácil compreensão. Além de ser um ícone da literatura brasileira, retrata um período histórico importante e que formou o Brasil como conhecemos hoje. Uma coisa interessante sobre a leitura são os momentos em que o autor conversa diretamente com o escritor, realçando certas partes da história ou explicando os fatos ocorridos.

Escrava Isaura se tornou popular por suas diversas adaptações para a televisão. A rede Globo e a Record já adaptaram o romance, sendo um grande sucesso de público.  Fora do país a repercussão das novelas brasileiras também foi também muito positiva.

 A rede Globo de televisão foi a primeira a adaptar o romance, em 1976. Lucélia Santos foi a responsável a dar vida a escrava. O papel rendeu a atriz o prêmio Águia de Ouro, na China. Primeira atriz estrangeira a receber o prêmio no país. A atriz foi premiada por vários outros prêmios em diversos lugares do mundo. A escrava Isaura está na lista das novelas mais comercializadas no exterior, mesmo depois de tantos anos. Uma curiosidade é que em certo momento da novela a censura proibiu que se usasse a palavra “escravo”, foi necessário então substituir a palavra por “peça”.

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Bernardo Guimarães morreu em 1884, deixando obras como O seminarista, A dança dos ossos e O Ermitão de Múquem. O Perfil Bhz inclusive já fez um post sobre O seminarista que você pode conferir Aqui. O autor é dono de uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras.

Se conhecendo por dentro

Museu MorfologiaO museu de Ciências Morfológicas encontra-se na Universidade Federal de Minas Gerais, no campus da Pampulha. É uma ótima pedida para estudantes das áreas da saúde e biológicas, ou apenas para curiosos que é o meu caso. O museu se divide em diversas áreas como exposição da aparelhagem de pesquisa, microscópios e técnicas de conservação. Também é exposto peças reais divididas pelos sistemas do corpo humano, além de mostrar também todas as fases embrionárias da gestação.

O museu foi aberto em 1997 e é o único do gênero no Brasil e América Latina. A visita no mínimo instiga a reflexão e a curiosidade. O espaço tem ainda uma preocupação com a inclusão dos deficientes visuais, a chamada a célula ao alcance da mão, onde os mesmos possuem acesso a modelos tridimensionais representativos de diversas partes do corpo humano.

Para os mais sensíveis essa talvez não seja a opção mais agradável. A  maioria do acervo é formada por peças reais conservadas pelas mais diversas técnicas, e por este motivo é proibido qualquer tipo de fotografia dentro do espaço.

O museu de ciências morfológicas têm ainda um projeto chamado leve a ciência para a vida : projeto de difusão científica de caráter educativo, que se propões a responder questões relativas ao conteúdo da sua pesquisa e realizar conferencias.

O museu funciona de terça à sexta, das 08:00 até as 17:00, e para entrar é cobrado um valor simbólico de R$: 5,00. O museu fica logo atrás do ICB (Instituto de Ciências Biológicas).

Para mais informações acesse  aqui!

Virada Cultural chega ao terceiro ano valorizando artistas locais


A terceira edição da Virada Cultural de Belo Horizonte começa às 19h do dia 12 e segue até as 19h do 13 de setembro.  As 24 horas de atrações ininterruptas irá reunir os melhores artistas das mais diversas áreas como: música, teatro, dança, circo, audiovisual, literatura, artes plásticas, moda e gastronomia.

Este ano a proposta é trazer para o debate o uso do espaço público, a sustentabilidade, mobilidade e novas vivências. Deste modo, todas as apresentações serão gratuitas, com destaque a inúmeros artistas locais e a diversidade de expressões e gêneros artísticos. Para garantir a mobilidade do público, a FMC vai instalar 3 km de um circuito de bike provisório, interligando todos os palcos da região central. A BHTrans também fará alterações em locais de shows e apresentações artísticas.

Ao todo, serão cerca de 600 atrações em 17 palcos, como o Parque Municipal, Viaduto Santa Tereza, rua Guaicurus, Praça 7, além de lugares insperados, como a escadaria do Edifício Sulacap, na avenida Afonso Pena, no centro, o Cemitério do Bonfim, e o Palco da Praça da Pampulha.

Sepultura foi a primeira grande atração confirmada do evento. O show será a céu aberto na Praça da Estação às 00:30 do dia 13. O grupo aproveita o evento para comemorar em sua terra natal os 30 anos de carreira completados neste mês.  A banda composta por Andreas Kisser (guitarrista), Paulo Jr (baixista), Eloy Casagrande (baterista) e Derrick Green (vocalista), surgiu inicialmente no tradicional bairro Santa Tereza e conquistou primeiro o mundo para depois entrar no coração de seus conterrâneos. Hoje são consagrados como uma das bandas mais influentes do heavy metal, e continua sendo uma das principais referências a cada nova geração de headbangers brasileiros.

Outros artistas de destaques da Virada Cultural 2015 são Felipe Cordeiro, Ivan Lins & Orquestra Arte Viva, Chitãozinho e Xororó e o grupo Molejo. Para abrir o evento, os organizadores convidaram 20 artistas mineiros para prestar uma homenagem ao ilustre compositor Fernando Brant justamente no dia em que completarão três meses de sua morte.

Além de música, a programação contempla, o Gastro Park, no Cidade Jardim; uma série de atividades voltadas para o público infantil na Praça da Estação; o Mundialito de Rolimã do Abacate, no bairro Salgado Filho; e o Campeonato de Gaymada, além de espetáculos de teatro, circo e dança.

Confira a programação completa na página do evento.

Marcos, o anjo protetor dos bichos.

Marcos de Mourão Motta é um famoso médico veterinário que há mais de 25 anos atua ao lado de sua esposa Teresa Cristina Brini no cuidado de animais. Juntos fundaram a renomada clínica Cães e Amigos na região da Pampulha, onde se encontra serviços como clínica geral, cirurgias, hemopatia, vacinas, internamentos, banhos e tosas.

                         

Como todo profissional de sua área, iniciou sua carreira cuidando somente de cães e gatos, até que o primeiro desafio apareceu, curar um papagaio que tagarelava quase feito gente. Embora não tivesse aprendido muito sobre animais silvestres na universidade, ele aproveitou os conhecimentos adquiridos nos livros e cuidou do paciente inesperado. Saiu-se tão bem na sua função que outras aves começaram a chegar. Ainda hoje estima-se que somente mais seis médicos da capital tratam desses animais.

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Este episódio foi o início do que se tornou a Associação Asas e Amigos da Serra, um criadouro de 3.000 metros quadrados, na cidade de Juatuba, a apenas 42 quilômetros de Belo Horizonte. Inicialmente o lugar foi pensado para abrigar as aves abandonados por seus donos na clínica. Hoje, o que torna este sítio tão especial, são as histórias de superação de seus moradores. Entre eles estão uma mula queimada por um carroceiro, um tucano com o bico quebrado, uma siriema sem uma perna, um jabuti atropelado, um macaco parcialmente cego e centenas de aves com asas cortadas.

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Marcos não quer saber de pavões de caudas exuberantes ou de pássaros afinados, a preferência é para aqueles animais que ninguém quer. A maioria são animais doentes, vítimas do tráfico de animais, maus-tratos ou acidentes. Mas o sítio também abriga gatos e cachorros abandonados à espera de adoção, e espécies ameaçadas de extinção, como a ararajuba e o tamanduá-bandeira.

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O IBAMA, órgão do governo responsável por fiscalizar o tráfico de animais e recolher aqueles criados sem licença ou vítimas de atropelamento, recebe de 8 mil a 10 mil bichos só na Capital. Seus centros de triagem, conhecidos por Cetas, não só vivem lotados, como também não podem abrigar os animais depois do tratamento. O Asas e Amigos se tornou assim um importante centro de apoio, principalmente porque os bichos podem permanecer por lá. Contudo não são todos que encontram uma “vaga” e muitos acabam sendo sacrificados pelo Estado por não terem condições de retornar a natureza, seja por seu estado debilitado, ou por serem considerados muito mansos e domesticados.

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Os animais são inicialmente encaminhados a clínica particular de Marcos onde são feitos exames, tratamentos ou cirurgias, para depois decidir o destino final, aqueles quem se encontram novamente em condições de voltar ao seu habitat natural são devolvidos ao IBAMA para serem soltos, os demais permanecem no criadouro.

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Com a ajuda de três funcionários na ONG e uma conta de quase R$ 20 mil por mês com gastos em salários, comida, remédio e tratamento, Marcos banca o Asas e Amigos parte com a receita de sua clínica particular e parte com ajuda de doações. Hoje com mais de 500 animais, o sítio em Juatuba está com a capacidade esgotada. Não pelo tamanho da propriedade, que ainda comporta muitos bichos, mas pela falta de recursos financeiros. Marcos espera novas doações para não fechar as portas. Enquanto o dinheiro não chega, ele parou de frequentar os órgãos de fiscalização. Teme não resistir à situação dos hóspedes dali e trazê-los para cuidar no sítio.

Marcos Motta ao lado de Augusto Matos, presidente da SINDSEG, um de seus principais parceiros.

Marcos Motta ao lado de Augusto Matos, presidente da SINDSEG, um dos principais parceiros da Asas e Amigos..

Deste modo, a procriação dos animais silvestres não é recomendada, mas acontece. “Eu evito ao máximo, não deixo que construam ninhos, até porque o filhote vai ocupar o espaço de um animal que viria vítima de maus tratos”, diz Marcos. Em casos de animais ameaçados de extinção, porém, a procriação é incentivada. Os filhotes são posteriormente encaminhados ao IBAMA.

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Atualmente a ONG está investindo em uma área especial dentro do sítio para os projetos de conscientização ambiental. O objetivo é ensinar crianças do ensino fundamental sobre a importância do cuidado com a natureza e os animais. A estrutura é capaz de receber até 40 pessoas. A ideia surgiu após perceber que só iramos mudar a situação desses animais se mudarmos o comportamento das pessoas em relação aos bichos.

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As épocas do ano influenciam no número de animais resgatados graças à ação do homem. De junho a julho, a ONG recebe muitas aves sem asas por conta de linhas com cerol. No final do ano, são as queimadas as inimigas da vida silvestre. E, no início do ano, época de reprodução, é quando o tráfico acontece em maior número.

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Marcos é uma destas pessoas raras, que dedica sua vida, tempo e dinheiro aos outros. Seu cuidado e amor com estes animais maltratados é comovente. Seu espaço acaba funcionando não somente como um local de tratamento de bichos e preservação de animais à beira da extinção, mas principalmente como aposentadoria de animais rejeitados, que sofreram uma vida de abusos.

Cachoro, a espera de uma família que o adote.

Cachorro a espera de uma família que o adote.

Seu carinho é facilmente percebido por todos que conhecem seu trabalho. Minha família, cliente a muitos anos, é testemunha de todo seu sacrifício. Em seu nome e de todos estes animais, pedimos sua ajuda com contribuição em dinheiro, ou com doações de leite, carne, medicamentos, material de limpeza, jornais, comedouros e rações para cães, gatos, equinos e pássaros. Você pode ajudar também divulgando este bonito trabalho da Asas e Amigos.

Doações financeiras de qualquer valor podem ser efetuadas na seguinte conta: Banco Itaú – Agência: 0689. Conta Corrente: 02806-6. CNPJ: 14.745.015/0001-93.

Se desejar, entre em contato para conhecer o espaço e apadrinhar um animal, com doações de apenas R$ 20,00 por mês. Para entrar em contato com o Dr. Marcos, basta ligar para (31) 9303-1325.

A Rede Minas e a TV Horizonte fizeram excelentes reportagens sobre seu trabalho, assista abaixo para conhecer um pouco mais:

https://www.youtube.com/watch?v=26oQJ-WUXsA
https://www.youtube.com/watch?v=W2VZgVh3oAE

http://www.asaseamigos.com/
https://instagram.com/asaseamigos/

“As pessoas não morrem, ficam encantadas”.

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Com uma linguagem própria e uma maneira única de escrever, João Guimarães Rosa conquistou o cenário da literatura brasileira se tornando um ícone de referencia pra diversos escritores.

Nascido em 1908, Guimarães Rosa foi médico, escritor, diplomata, poliglota e gênio. Com diversos livros aplaudidos pela crítica e pelo público, suas obras se tornaram referência. Nascido em Cordisburgo, mudou-se para Belo Horizonte ainda garoto, onde permaneceu por bastante tempo. Cursou medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, porém mais tarde admitiu que não teria dom para tal profissão.

Dentre seus livros destaca-se Grande Sertão Veredas, Corpo de Baile e Sagarana, que foi a sua primeira obra a sair em livro. As suas histórias traz sempre como cenário o sertão Mineiro e suas peculiaridades, gírias locais, costumes, fauna e flora. Tudo contado de forma bastante poética e cheio de questionamentos, que eu diria existenciais.

“O senhor não duvide – tem gente, nesse aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta…”

Trecho de Grande Sertão Veredas.

O autor dias antes de sua morte, no ano de 1967 citou a seguinte frase: A gente morre é para provar que viveu, Guimarães provou sim, e ficou encantado e imortalizado como um grande nome da literatura mundial.